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ONG aponta que intenção de Israel de ocupar 70% da Faixa de Gaza aumentará o sofrimento das famílias palestinianas.
A UNICEF defendeu esta sexta-feira que a intenção declarada pelo Governo de Israel de ocupar 70% da Faixa de Gaza aumentará o sofrimento das famílias palestinianas, privadas dos serviços mais básicos, e dificultará o trabalho das organizações humanitárias.
"A situação é desesperada e concentrar as pessoas num espaço tão reduzido está a causar ainda mais problemas do que os já existentes. Esta sobrelotação está a provocar a propagação de doenças, a sobrecarregar os sistemas e, naturalmente, a reduzir muitos serviços", alertou por videoconferência a partir do território ocupado a responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) Salim Oweis.
Na sequência do cessar-fogo de 10 de outubro, o Exército israelita passou a controlar 52% do reduzido território de Gaza, percentagem que posteriormente alargou para 60% e que pretende agora aumentar para 70%, segundo afirmou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
A partir de Gaza, Oweis descreveu uma situação catastrófica, em que, com apenas 40% da superfície disponível, a população se refugia onde pode, "entre edifícios destruídos, escombros e resíduos sólidos que não param de se acumular".
Num contexto de escassez de água que obriga a população a escolher entre beber, lavar-se ou cozinhar, Oweis denunciou "os ataques mortais contra as operações de abastecimento de água", como o ocorrido no ponto de abastecimento de al-Mansoura, onde dois motoristas de camiões que iam recolher água foram mortos.
Esse ataque tornou ainda inacessível esta importante fonte de abastecimento, da qual dependem cerca de 250 mil pessoas.
A isto junta-se o facto de Israel não permitir a entrada, nas quantidades precisas, de artigos destinados à manutenção e reparação dos sistemas de abastecimento de água, enquanto o lixo se acumula diariamente e se torna impossível proceder a uma recolha adequada "porque também já não existe espaço disponível para o armazenar".
A intenção de Israel de aumentar o território sob controlo afetará igualmente a resposta humanitária e obrigará a um novo planeamento.
"O mais grave será que a maior apropriação de terras implicará a perda de acesso a alguns dos pontos de prestação de serviços, mas também a alguns locais de difícil acesso onde vivem famílias com crianças", explicou Oweis.
O primeiro-ministro israelita ordenou quinta-feira ao Exército que ignore os termos do cessar-fogo que começou em outubro e assuma o controlo de 70% da Faixa de Gaza.
"Neste momento, temos o [movimento islamita] Hamas pela garganta. Controlamos agora 60% do território da Faixa [de Gaza]. Como sabem, estávamos nos 50% [após a entrada em vigor do cessar-fogo], passámos para 60%, e a minha diretiva é chegar aos [...] 70", declarou Benjamin Netanyahu durante uma conferência na Cisjordânia ocupada, da qual o canal 12 divulgou um excerto na Internet.
Logo após afirmar os 70%, a assistência gritou "100%", ao que Netanyahu pediu calma.
"Por ordem. Primeiro 70%. Comecemos por isso", retomou Netanyahu. «Temo-los cercados por todos os lados. [...] Do resto trataremos mais tarde".
Estas declarações surgem numa altura em que Gaza continua a ser palco de violência diária, com os ataques israelitas a prosseguirem sem interrupção, enquanto Israel e o Hamas se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.
A trégua entrou em vigor sob pressão dos Estados Unidos em 10 de outubro de 2025, dois anos após a guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 07 de outubro de 2023.
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