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Cortes de água em Almada: Autarca admite indemnizações aos munícipes, mas descarta saída da administração dos SMAS

Inês de Medeiros recusou demitir-se. Autarca apontou ainda que Governo de Luís Montenegro aproveitou-se da situação para tirar o foco da polémica do exames nacionais.

Atualizado a 13 de julho de 2026 às 21:55

A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, afirmou, esta segunda-feira, numa entrevista exclusiva no NOW, que a falta de água no concelho há mais de um mês, é "a mais grave deste ano" e que foi "empolada pelo Governo para tentar fugir da polémica do exames nacionais".  A autarca recusou demitir-se e deixar cair a administração dos SMAS, apontando ainda o dedo à ministra do Ambiente.

Questionada sobre as críticas ao dirigente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, Luís Palma, por estar à frente da entidade e ter uma licenciatura em ensino básico, Inês de Medeiros recusou demitir a administração do SMAS por considerar ser "injusto". "Isso significaria assumir a responsabilidade dele por seis meses", disse a autarca.

Indemnizações, talvez, mas "só após estabilização do sistema"

Sobre a possibilidade de indemnizar os munícipes afetados, Inês de Medeiros sublinhou que essa decisão depende da entidade reguladora e só poderá ser equacionada após a estabilização do sistema local. Mas assegurou que todas as possibilidades estão a ser tidas em conta, embora seja necessário chegar às "contas finais", para tomar decisões concretas.

"Senti-me ofendida com a primeira entrevista da ministra do ambiente [Maria a Graça Carvalho]", confessou a autarca de Almada, atirando que "não foi a senhora ministra que chegou e abriu-se o [primeiro] furo". No que toca ao segundo furo, já em funcionamento, Inês de Medeiros disse o mesmo foi feito após uma "aprovação em tempo recorde".

Já sobre as c, Inês de Medeiros afirmou ter falado com o homólogo, mas recusou dar mais detalhes.

"Faltam apurar as causas totais"

A autarca atribui a falta de água a um aumento exponencial do consumo, especialmente na Costa da Caparica e Sobreda, e a um "problema real" na extração de água dos furos. Segundo a autarca, o envelhecimento do sistema é um fator, mas o cenário deste ano é "mais grave" e distinto de situações anteriores. "Faltam apurar as causas totais", revelou, referindo que "Penajóia não é um problema".

Inês de Medeiros afirmou ainda que as medidas de cortes programados para diminuir a pressão estão a surtir efeito, garantindo que, "desde quinta-feira, 9, não há faltas de água não programadas", sendo o foco, agora, a "estabilização".

Recorde-se que foi declarada situação de alerta, até o problema estar resolvido, com a autarquia de Almada a restringir o consumo total de água, em determinadas zonas do concelho, das 22h00 às 06h00. Uma segunda medida é a proibição de todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais, entre as quais a rega de jardins públicos e privados e de campos de golfe, a lavagem de viaturas, o enchimento de piscinas, a utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares, o funcionamento das fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água e a lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados.

Na quarta-feira cerca de 1.500 pessoas juntaram-se num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica, exigindo soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros.

Publicada originalmente a 13 de julho de 2026 às 20:35

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