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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Vice dos EUA quer abertura do estreito de Ormuz sem portagens

Imposição de portagens também já foi rejeitada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que considerou a exigência de Teerão como um retrocesso.

15 de junho de 2026 às 14:53

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou esta segunda-feira esperar que o estreito de Ormuz seja reaberto "sem portagens", apesar de ter sido avançado que o Irão quer cobrar uma taxa pelos serviços marítimos no canal.

"Esperamos que o estreito seja reaberto sem portagens a longo prazo, e é esse o tipo de coisas que discutiremos nas negociações técnicas", que deverão começar sexta-feira e durar dois meses, disse, em declarações à televisão CNBC.

A agência de notícias semioficial Fars avançou esta segunda-feira que o Irão acrescentou uma cláusula de última hora ao projeto de acordo com os Estados Unidos, estipulando a imposição de taxas pelos serviços marítimos no estratégico estreito de Ormuz, por onde costumava passar cerca de um quinto do petróleo mundial.

Anunciado no domingo à noite pelo primeiro-ministro paquistanês e confirmado pouco depois por Washington e Teerão, o documento, que ainda não foi divulgado publicamente, apela ao fim da guerra iniciada a 28 de fevereiro e à reabertura de Ormuz.

"Autorizo totalmente a reabertura do estreito de Ormuz sem taxas de trânsito e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir", afirmou o Presidente dos EUA, Donald Trump, numa mensagem publicada de madrugada na sua rede social, acrescentando que a abertura do canal acontecerá "assim que o acordo for assinado, na sexta-feira", na Suíça.

A imposição de portagens também já foi rejeitada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que considerou a exigência de Teerão como um retrocesso.

"Isso criaria um precedente. Existem muitos outros estreitos no mundo: se cobrarmos portagens sempre, qual será a consequência? Os preços vão aumentar para todos", argumentou Macron numa entrevista dada à margem da abertura da cimeira do G7.

O chefe de Estado alertou que França, Reino Unido, Itália e Países Baixos estão preparados para mobilizar rapidamente recursos e ativos no âmbito da missão internacional destinada a garantir a segurança do tráfego marítimo na zona e sublinhou que o porta-aviões nuclear francês 'Charles de Gaulle' poderá chegar à zona "em dois ou três dias" após a confirmação do acordo.

"Faremos todos os possíveis para garantir que não há portagens e que os preços não sobem", disse, adiantando que um dos principais objetivos dos países do G7 (as sete economias mais avançadas do mundo) é evitar quaisquer medidas que possam aumentar o custo do transporte de hidrocarbonetos e levar a preços mais elevados da energia.

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