Rodríguez reiterou que os venezuelanos estão dispostos a continuar a receber investidores de outros países, além dos Estados Unidos, para elevar a indústria petrolífera aos mais altos padrões.
A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu hoje que o país sul-americano quer tornar-se um "gigante global" do petróleo, defendendo que o acordo petrolífero com os Estados Unidos seja implementado "sem obstáculos".
Rodríguez falava após visitar as instalações da petrolífera Chevron na Faixa Petrolífera do Orinoco com o secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, o primeiro alto responsável de Washington a visitar o país desde a operação militar de 03 janeiro em Caracas em que foram capturados o líder Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores.
"Queremos deixar de ser o país com as maiores reservas de petróleo do planeta para nos tornarmos um gigante global na produção de petróleo, e que seja esse o nome pelo qual seremos conhecidos", destacou a Presidente interina durante a visita, transmitida pelo canal Telesur.
Rodríguez reiterou que os venezuelanos estão dispostos a continuar a receber investidores de outros países, além dos Estados Unidos, para elevar a indústria petrolífera aos mais altos padrões.
"A Chevron está na Venezuela há mais de 100 anos e estamos a realizar um trabalho extraordinário como parceiros, melhorando a produção, as instalações, as infraestruturas e a manutenção. Este é o caminho da cooperação", declarou.
Durante a visita na quarta-feira a Caracas, Wright e Rodríguez firmaram uma "parceria produtiva de longo prazo" no setor energético e discutiram projetos nas áreas do petróleo, gás, mineração e eletricidade.
O ministro das Comunicações, Miguel Ángel Pérez Pirela, anunciou hoje a visita de Rodríguez e Wright à joint-venture Petro Independencia numa mensagem no Telegram acompanhada de uma foto dos dois governantes no local, vestindo fatos-macaco.
A encarregada de negócios dos EUA na Venezuela, Laura Dogu, também participou na visita e partilhou um vídeo no X mostrando Wright, Rodríguez e trabalhadores petrolíferos a percorrer as instalações da empresa.
Segundo a emissora estatal venezuelana de Televisión (VTV), Wright afirmou que a Chevron pode aumentar a sua produção no país para 300 mil barris de petróleo, graças aos acordos.
"Trata-se de garantir que os dois acordos, político e económico, decorrem da melhor forma possível entre os nossos países, mas não há dúvida de que a Chevron pode aumentar a produção nesta instalação, nesta área, para 300 mil barris por dia. Não há absolutamente nenhuma dúvida sobre isso", disse o governante norte-americano.
As instalações da Chevron situam-se na Faixa Petrolífera do Orinoco, no leste do país, que contém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo.
A visita do secretário de Energia a Caracas ocorre duas semanas após o parlamento venezuelano ter aprovado uma lei que abriu o setor petrolífero a investimento estrangeiro.
Paralelamente, uma decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) levantou algumas restrições para que as empresas petrolíferas norte-americanas possam operar na nação sul-americana.
Também hoje, Chris Wright elogiou, numa entrevista ao canal NBC News, a "cooperação incrível" de Caracas com Washington ao longo das últimas cinco semanas de negociações com Delcy Rodriguez e afirmou que já foram vendidos mais de mil milhões de dólares (cerca de 841 milhões de euros, ao câmbio atual) de petróleo venezuelano, prevendo-se mais cinco mil milhões de dólares de vendas nos próximos meses.
Após a captura pelos Estados Unidos de Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu "acesso total" aos recursos petrolíferos venezuelanos.
Wright garantiu que Washington controlará a venda do petróleo do país por um período indefinido.
"Os venezuelanos estão no comando na Venezuela, mas os EUA têm uma enorme influência sobre as autoridades interinas na Venezuela: a maior fonte de receitas que financia o Governo da Venezuela é agora controlada pelos EUA", adiantou Wright sobre a indústria petrolífera do país.
O secretário de Energia disse ainda que, se for promovida uma "mudança positiva que beneficie os norte-americanos e melhore as oportunidades de vida dos venezuelanos", o dinheiro "fluirá".
"Se se desviarem desse caminho, temos uma enorme influência", acrescentou.
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