Seguro supera 3,5 milhões com votos adiados e emigrantes

Adicionados 31 mil votos de consulados e de freguesias que estavam em aberto. Destes, 12 mil foram de eleitores que o mau tempo atrasou.

16 de fevereiro de 2026 às 01:30
António José Seguro é o novo Presidente da República Foto: Ana Brigida/AP
António José Seguro com a mulher e os filhos Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

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António José Seguro superou os 3,5 milhões de votos, marca que nunca tinha sido atingida em Portugal. O resultado de há uma semana, quando bateu o recorde de Mário Soares em 1991, ganhou ainda maior expressão quando o total global passou a considerar os 31 mil votos dos consultados e de locais que não estavam fechados. Destes, cerca de 12 mil foram dos que só ontem participaram na segunda volta das presidenciais por estarem recenseados numa das 20 freguesias onde a votação foi adiada devido ao mau tempo. Seguro venceu em todas as localidades. Nestes casos, a abstenção rondou 66%, acima da média nacional (41,3%).

“Saúdo todos os eleitores que hoje foram votar e que não o puderam fazer no domingo passado. A democracia vive da participação de todos nós. Cada voto é uma afirmação de liberdade, de responsabilidade e de esperança no futuro”, reagiu o Presidente da República eleito, nas redes sociais. Na mensagem acrescentou: “Quero também agradecer, de forma muito especial, a todos os que tornaram possível a realização deste sufrágio, aos membros das mesas de voto, aos funcionários, às forças de segurança e a todos os que, com sentido de dever e serviço público, garantiram que este dia decorresse com normalidade, transparência e respeito.”

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E não faltam exemplos. No concelho de Alcácer do Sal, os mergulhadores da Marinha transportaram, de barco, os moradores da localidade de Vale de Guizo até à mesa de voto de Arez. A entrada que liga as duas aldeias encontrava-se ontem ainda submersa. “Não queria que ninguém me dissesse que não tinha condições para ir votar”, disse ao CM a presidente da Câmara de Alcácer. Clarisse Campos defendeu que os eleitores “compreenderam que este é um dever cívico, que assiste a todos, independentemente de tudo”. Em Bidoeira de Cima, Leiria, falamos do mais básico, a luz, que faltou e encerrou as urnas três horas. “O gerador é da responsabilidade da E-Redes. Vieram cá, desligaram uma fase, tiraram energia a dez ou 15 famílias e não viram o nível de combustível”, reclamou o presidente da junta, à RR. “É assim que temos sido tratados há 19 dias. É desumano”, lamentou Tiago Santos, que questionou: “Eu tenho pessoas de 90, 95 anos, crianças e bebés sem energia. O que é que eu digo a uma pessoa de 86 anos que precisa de uma máquina para ter oxigénio?”.

Seguro trabalha em Queluz para tomar posse dia 9

António José Seguro trabalha, desde a última quarta-feira, num gabinete no Palácio de Queluz, no concelho de Sintra. Na segunda-feira, passou a primeira amanhã enquanto Presidente da República eleito a falar com autarcas de concelhos afetados pelo mau tempo e, à tarde, foi recebido por Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém, para uma primeira reunião de passagem de testemunho. A necessidade de uma segunda volta encurtou o período de transição, que termina no próximo dia 9 com a tomada de posse do novo chefe de Estado.

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