Jorge Pinto critica 'geringonça' por não ter avançado com processo de regionalização

Candidato a Belém apoiado pelo Livre lamentou a "falta de vontade, ambição e coragem" dos dirigentes políticos.

05 de janeiro de 2026 às 13:50
Jorge Pinto Foto: Manuel Pereira da Silva/Lusa
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O candidato presidencial Jorge Pinto criticou esta segunda-feira a 'geringonça' por não ter avançado com a regionalização, questionando a esquerda sobre as razões dessa decisão.

Em declarações aos jornalistas, na Guarda, após uma reunião com o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Costa, Jorge Pinto referiu que um dos temas abordados neste encontro foi o "imperativo constitucional da regionalização" que permitiria, argumentou, construir um "Portugal coeso" e que garantiria a todos os portugueses as mesmas oportunidades.

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O candidato a Belém apoiado pelo Livre lamentou a "falta de vontade, ambição e coragem" dos dirigentes políticos ao não avançarem com o processo de regionalização, criticando o atual primeiro-ministro, que já disse que esse assunto não estará em cima da mesa na presente legislatura, mas também os seus antecessores, em particular o Governo do PS apoiado pelo BE, PCP e PEV entre 2015 e 2019.

"Nós já tivemos uma fase, até no passado recente do nosso país, nomeadamente com a 'geringonça', em que todos os partidos que constituíam a geringonça eram, na teoria, favoráveis à regionalização, tinham a maioria parlamentar para avançar com o processo de referendo e isso não aconteceu. Porquê? É a minha pergunta", questionou.

Jorge Pinto reiterou uma das bandeiras da sua campanha de organizar uma assembleia cidadã com a presença de 100 pessoas de todo o país para que se debata a regionalização e se exerça pressão sobre o poder legislativo para que este processo avance e se cumpra o que está previsto na Constituição.

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Questionado sobre se este tipo de pressão sobre o parlamento e o Governo não excede os papeis de um chefe de Estado, o candidato à Presidência respondeu negativamente, argumentando que é uma medida que transmite aos portugueses que eles também "têm a capacidade de influenciar o debate político em Portugal".

"Eu não sei qual será o resultado dessa assembleia cidadã, não sei o que é que estes 100 portugueses, que se irão sentar para discutir a regionalização, irão decidir. É precisamente por isso que eu os quero ouvir. Quero ouvi-los quanto às competências, quero ouvi-los quanto às próprias regiões e com isso, sim, não tenho medo da palavra, colocar pressão nos deputados, colocar pressão no Governo para que eles oiçam os portugueses", explicou.

Jorge Pinto defendeu também a necessidade de uma discriminação positiva para combater a desertificação, propondo, como exemplo de medida a ser adotada, um "rendimento básico de coesão territorial".

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Sobre a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na campanha de Luís Marques Mendes, o candidato apoiado pelo Livre disse que essa participação confirma o que tem dito sobre o país precisar de um "contrapeso democrático" em Belém.

"Num país que já está extremamente virado à direita, não é bom termos na Presidência da República alguém que é próximo do Governo. Não é bom para o país, não é bom para os portugueses. Eu quero ser esse contrapeso democrático, sei bem que o serei, sem me imiscuir no trabalho do Governo, sem querer controlar a atividade do Governo, mas sendo esse contrapeso democrático sempre e quando for necessário, a bem dos portugueses e do nosso país", concluiu. 

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