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André Ventura usa desinformação como "arma política"

André Ventura usa a desinformação "para criar caos e desordem desinformativos na sociedade e manipular o eleitorado".

16 de janeiro de 2026 às 18:59

O investigador Branco Di Fátima, um dos responsáveis por um estudo sobre desinformação na campanha presidencial, afirma que André Ventura, do Chega, utiliza as 'fake news' para criar caos, desordem e manipular o eleitorado.

"André Ventura percebeu que a desinformação em si é uma estratégia política", afirmou à Lusa Branco Di Fátima, explicando que tanto André Ventura como o Chega, o partido que lidera e que apoia nas presidenciais de domingo, usam conscientemente esta estratégia.

A desinformação disseminada pelo presidente do Chega não decorre de erros de publicação, pois André Ventura "usa a desinformação como uma arma política para criar caos e desordem desinformativos na sociedade e, assim, manipular o eleitorado".

Branco Di Fátima explicou como é usada a estratégia: usar um tema extremamente complexo, com um histórico de desgaste, tornando-o um tema emocional para encontrar um inimigo que tem de ser combatido.

Até 13 de janeiro, André Ventura tinha sido responsável por 85,7% dos casos de desinformação detetados pela monitorização do LabCom -- Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI), ao qual pretende Branco Di Fátima.

Um dos casos com maior repercussão foi a partilha pelo candidato a Belém logo no dia 01 de janeiro, de um vídeo do jornal espanhol OK Diário, que mostra um incêndio na Igreja de Vondelkerk, em Amesterdão, na noite de Ano Novo, associando-lhe a legenda "islamização da Europa".

"No vídeo original é avançada a alegação de que o fogo teria começado após 'vários imigrantes lançarem fogos de artifício' sobre o edifício (que deixou de acolher cerimónias religiosas em 1977 e funcionava como centro cultural)", mas Ventura junta, à publicação, a expressão "islamização da Europa", lê-se no relatório dos investigadores.

Esta publicação alcançou 1.028.534 de visualizações, 40.250 comentários, 6.197 comentários, 3.487 partilhas e um alcance de 436.167 (número estimado de utilizadores únicos que viram o conteúdo pelo menos uma vez).

Neste sentido, Branco Di Fátima afirmou que "as grandes empresas de tecnologia proprietárias das redes sociais têm falhado no combate da desinformação", pois esta além de moldar a forma como as pessoas pensam, também é um "ecossistema económico".

"Quando os indivíduos veem uma notícia de desinformação, muitas vezes com alta carga emocional, tendem a permanecer mais tempo nas plataformas e ao permanecer mais tempo conectados aos seus perfis, criam mais valor agregado àquela visualização. O que as plataformas, no fundo, vendem é a atenção dos utilizadores com perfis na plataforma", rematou o investigador.

As eleições presidenciais, disputadas por número recorde de candidatos (11), estão marcadas para domingo.

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