Candidato passou dos transportes para a habitação, frisando que "as rendas estão elevadíssimas" tal como o preço das casas.
António José Seguro apanhou esta quinta-feira o comboio de Sintra para Lisboa sem ir "enlatado", ouvindo os problemas de Lucas e Afonso, jovens universitários com quem falou de mobilidade, habitação e economia, acabando, na desportiva, a querer marcar golos políticos.
À espera do comboio para Lisboa na plataforma da estação, o candidato presidencial começou por dizer que adora comboios, porque normalmente há "uma mesinha, dá para trabalhar, esticar as pernas", recordando que "foi bom" ter experimentado tal realidade em pré-campanha, entre a Suíça e França.
"O problema da mobilidade no nosso país é que ela foi perspetivada para um país... se repararem, hoje, uma parte das estações de caminho de ferro já estão em sítios onde não há localidades, onde não há pessoas. Há aqui um problema de rede que tem de ser muito bem organizado", constatou.
E se a experiência na Europa até foi agradável, em Portugal "o comboio é diferente, são viagens em que vem toda a gente enlatada", disse. Mas hoje, fora da hora de ponta, a realidade foi diferente, e Seguro até se pôde sentar à conversa com dois jovens universitários, Lucas e Afonso.
"Eu acho que, em termos de infraestruturas, acho que está a melhorar. De facto, há uns anos não havia tantos autocarros, era uma confusão. Acho que agora já há uma linha que se está a seguir e acho que está a ser bem executada a certo ponto", disse o jovem Afonso.
Depois de um comentário sobre os últimos casos na Saúde num direto televisivo, Seguro voltou à carga sobre a mobilidade, defendendo que nesse setor também há "um problema" e "uma desigualdade".
"Tem de haver coragem para tomar decisões desta natureza, porque quando se incentiva as pessoas, naturalmente, pagando menos para ter acesso ao comboio, através da mobilidade que está a ser incentivada, também tem que haver mais comboios para que respondam a esta procura por parte dos passageiros", defendeu.
O candidato passou dos transportes para a habitação, frisando que "as rendas estão elevadíssimas" tal como o preço das casas, falando numa "geração bloqueada" de jovens.
"Eles queimam as pestanas, aprendem, são altamente qualificados e depois não têm os empregos e as oportunidades ao nível das habilitações que eles têm", disse Seguro, reproduzindo até uma observação que já tinha ouvido numa loja de tintas em Agualva-Cacém, onde uma trabalhadora até questionou a pertinência de se tirar um curso face às oportunidades disponíveis.
Numa conversa fluída, Afonso confessou que adora os pais, mas "o grande passo, como toda a gente diz, é ter a sua própria autonomia".
"Eu acho que essa autonomia é, de facto, conquistada quando tu tens de construir a tua vida por ti próprio e tens de ganhar responsabilidades", prosseguiu.
Perante a observação de que o grande problema do país é "a falta de acompanhamento dos salários" face ao aumento do custo de vida, por exemplo, no imobiliário, o jovem já antecipa problemas para a próxima geração, mesmo que até esteja a estudar Tecnologia da Gestão, "um curso bom e pode ser bem remunerado no futuro".
"Se calhar quando forem os meus filhos, eu não vou ter essa possibilidade de lhes oferecer, porque ganhar um bom salário não vai acompanhar", antecipou, pelo que "tem de haver um crescimento equilibrado, ou seja, proporcional àquilo que vai acontecendo no país".
Seguro ouviu e disse que "isso é uma verdade" e Portugal tem "um tecido económico com mais de 90% que são pequenas e médias empresas".
"Se tu terminas o curso e fores bater à maior parte das empresas do nosso país, ninguém procura um licenciado om as tuas qualificações ou com as tuas, porque são empresas que têm três trabalhadores, quatro trabalhadores, cinco trabalhadores", apontou o candidato, defendendo por isso "um plano de incentivo à fusão e à criação de empresas de grande dimensão, que permita acolher-vos e sobretudo também dar progressão na carreira".
No final da conversa, ainda teve tempo de falar de futebol com ambos os jovens, rejeitando estar a "driblar" a campanha e admitindo que não gosta "de coisas imediatas", apesar de em jovem até jogar a "avançado centro" no Penamacorense.
"Corria bem, driblava bem em corrida e rematava bem em corrida. Drible, não muito. Gosto mais de coisas de correr, fintar em corrida e depois rematar bem à baliza e sobretudo marcar golo. E na política o golo são resultados para que as pessoas tenham uma vida melhor", atirou, já apressado e quase a sair do comboio.
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