Relatório estima que mais de nove milhões de contas das redes sociais possam ter sido expostas a conteúdos desinformativos difundidos pelos pré-candidatos e candidatos durante as eleições.
A desinformação associada às presidenciais somou mais de 12,8 milhões visualizações nas redes sociais e André Ventura concentrou 88,5% dos casos, segundo um relatório o LabCom -- Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).
O relatório "Desinformação nas Presidenciais 2026: atividade dos candidatos nas redes sociais", desenvolvido em cooperação entre a ERC -- Entidade Reguladora para a Comunicação Social e o LabCom, monitorizou a desinformação relacionada com a presença digital dos pré-candidatos e candidatos nas redes com maior expressão em Portugal e começou a ser elaborado em 17 de novembro de 2025, dia do primeiro frente a frente na televisão entre André Ventura e António José Seguro.
Os conteúdos desinformativos atingiram, no total, 12.826.973 visualizações nas redes sociais (todas as vezes que o conteúdo aparece aos utilizadores, incluindo repetições), e geraram 588.739 interações, 105.712 comentários e 42.922 partilhas.
Os autores do relatório estimam que mais de nove milhões de contas das redes sociais possam ter sido expostas a conteúdos desinformativos difundidos pelos pré-candidatos e candidatos durante as eleições.
Durante a campanha eleitoral foram identificados 26 casos de desinformação e André Ventura, segundo candidato mais votado, foi responsável por 88,5% (23) dos casos identificados, enquanto os restantes foram de Joana Amaral Dias (dois casos) e André Pestana (um caso).
Destes 26 casos, oito resultaram na abertura de processos de averiguação junto da ERC.
O vídeo foi o formato preferencial para a desinformação, tendo sido utilizado em 53,8% dos casos, comparando com as fotografias, com 46,2%.
A maioria dos casos identificados apresenta médio potencial desinformativo (92,4%), designadamente conteúdos associados à descontextualização de factos ou à manipulação de dados, sendo mais difíceis de verificar pelo cidadão comum.
Já as publicações com alto potencial desinformativo ocupam uma parcela residual da amostra, com apenas um caso (3,8%), tratando-se de conteúdos sem qualquer relação com a realidade, elaborados de forma profissional, muitas vezes recorrendo a recursos tecnológicos avançados.
As publicações com baixo potencial desinformativo também representam 3,8% do total de casos e são conteúdos elaborados de forma amadora, facilmente verificáveis por qualquer cidadão por uma pesquisa simples na Internet.
Por tipo de desinformação, divide-se entre a descredibilização dos media (27,0%), seguida de sondagens de empresas não registadas na ERC (23,1%) e conteúdo informativo manipulado (15,4%).
A desinformação relacionada com a semelhança aos media de referência, conteúdo enganoso e contexto falso alcançaram a mesma percentagem, com cada um corresponder a 7,7% dos casos de desinformação.
Dos 26 casos detetados, sete (27,0%) envolveram a utilização de Inteligência Artificial (IA), em que atores políticos recorreram a esta tecnologia ou difundiram conteúdos gerados com o seu auxílio.
Nas eleições Presidenciais de 2026, a tecnologia foi mobilizada sobretudo para a produção de imagens e vídeos hiper-realistas de adversários, inserindo-os em contextos, situações ou ações fabricadas, bem como para a simulação de tendências de voto mediante modelos de IA.
O líder do Chega é o autor da publicação com mais visualizações (2,3 milhões). Realizada em 26 de janeiro, divulgava dados de intenção de voto apresentados como resultado de um inquérito 'online', com a imagem a indicar 63,16% para André Ventura e 36,84% para António José Seguro, atribuindo os dados ao 'site' Diário Bix.
No entanto, este não corresponde a uma sondagem oficial, tendo sido realizado por uma entidade que não se encontra credenciada na ERC.
No total, o LabCom analisou 8.047 mensagens, com atividade centrada sobretudo nas plataformas Meta, com o Facebook (29,4%) e o Instagram (28,6%) a reunirem a maioria das publicações, seguidos pelo TikTok (16,3%), plataforma que registou crescimento significativo face a anteriores ciclos eleitorais, o X (14,9%), o Threads (7,6%), o YouTube (2,3%) e outras plataformas (1,1%).
António José Seguro foi eleito Presidente da República com uma percentagem próxima dos 67%, enquanto o líder do Chega ficou perto dos 33%.
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