Os mais novos têm boletins de voto igualmente extensos e concorridos e votam na "privacidade" de biombos.
Com boletins de voto igualmente extensos e concorridos e na "privacidade" de biombos, na União de Freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião, em Guimarães, as crianças e os adolescentes também votam este domingo dia de eleições Presidenciais.
Tiago Pires Lobato, 11 anos, por volta das 14h00 já tinha exercido o seu "direito de voto" no IDEGUI - Instituto de Design de Guimarães (distrito de Braga), numa das três secções de voto da responsabilidade da União de Freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião (Castelo). Teve direito a três boletins de voto: um sobre os transportes com os quais se desloca para a escola, outro sobre refeições e um terceiro sobre desporto.
"Pus a cruz no 'a pé', no 'hambúrguer com batata frita' e em 'futebol'", contou Tiago, à agência Lusa, ciente de que "o voto é secreto" e de que não tem de revelar as suas preferências, muito menos em "eleições a sério".
Já o irmão, Nuno Pires Lobato, 7 anos, foi convidado a responder à pergunta "qual o mais fixe?" num "boletim de voto" com 11 imagens de super heróis, desenhos animados ou princesas, escolheu o Homem Aranha em detrimento de Pandas, Caricas, Minecraft, Barbies, Mickeys, entre outros.
"Um professor falou na escola sobre as eleições [Presidenciais] mas não me lembro muito. Se eu fosse Presidente da República queria que não houvesse guerra e pobreza. Gostei destas eleições para crianças porque pude ser eu a participar", descreveu Tiago, aluno do 5.° ano da Escola Egas Moniz (Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda), cujo primeiro contacto com eleições foi na escola aquando da escolha do delegado de turma e que, de resto, vai percebendo a dinâmica do dia de voto porque a mãe tem o hábito de o levar consigo quando vai votar.
Ao lado o irmão -- que frequenta o 1.° ano da escola de São Roque, no Agrupamento de Escolas João de Meira, quer ser futebolista e se fosse Presidente da República "fazia com que todas as pessoas tivessem dinheiro e uma casa" -- também confidencia que votou no Homem Aranha e que sobre eleições sabia que é um momento onde "os adultos vão votar".
"Por isso fiquei contente de ter um papel para mim e pude votar nos desenhos animados", contou, indo ao encontro dos objetivos quer da organização da iniciativa, a União de Freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião (Castelo) em parceria com a Casa da Juventude de Guimarães, quer da mãe, Sofia Pires, que até vota em outra mesa de voto da cidade mas quis que os filhos tivessem este contacto com as eleições.
"Decidi trazê-los para serem eles os protagonistas destas eleições e não meros acompanhantes. A literacia política dos miúdos agora tem que se fazer de uma forma mais formal em casa e na escola. Não sinto que faça muito, mas pelo menos dar o exemplo e levá-los comigo, ver o boletim de voto e ver-me a pôr a cruz. Quero acreditar que já é alguma coisa", afirmou.
Manifestando esperança de que estas iniciativas se repitam e multipliquem em outros locais, Sofia Pires confidenciou à Lusa a sua motivação: "Há uma dispersão maior nos conteúdos do que existia na minha altura, o que faz com que os jovens, podendo decidir a informação que consomem, passam ao lado da política e das eleições. Eu, nem que não quisesse, na idade deles via o telejornal. Agora há desenhos animados na sala e notícias na tv da cozinha, novos hábitos".
Portugal vota este domingo no Presidente da República que vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, nome que muitas das crianças com as quais a Lusa contactou na iniciativa "Miúdos a votos" até reconhecem, ao contrário do que acontece quando se aproximam do boletim de voto colado na parede com as caras dos 11 candidatos, um número recorde destas eleições Presidenciais.
Para o sufrágio estão inscritos 11.039.672 eleitores, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021.
"Para as crianças, no 'Miúdos a votos', não há cadernos eleitorais, mas podemos dizer que está a correr bem, muita adesão", referiu o presidente da União de Freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião (Castelo), Diogo Lopes.
Contando que a ideia partiu do secretário da junta que agora é avô e que foi aprovada pelo executivo, o autarca admitiu que se decidiu aguardar pelas Presidenciais para a pôr em prática.
"Não fizemos isto nas Autárquicas porque podia haver uma interpretação errada, algum mal-entendido, mas estas eleições são diferentes e muito importantes. O objetivo é cativar os mais jovens, chamar quem ainda não vota, dar-lhes contacto com um boletim, mas também combater a abstenção. Quem sabe não serão os filhos, os mais novos, a começar a trazer os pais", terminou.
As assembleias de voto para as eleições presidenciais abriram às 08h00 em Portugal Continental e na Madeira, encerrando às 19h00. Nos Açores, as mesas de voto abrem e encerram uma hora depois em relação à hora de Lisboa, devido à diferença horária.
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