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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Freguesia em Pombal em risco de ficar sem luz até ao dia 14. Presidente considera que não há condições para eleições

"Isto está extremamente caótico", disse esta quinta-feira o presidente da Junta de Freguesia de Carriço.

05 de fevereiro de 2026 às 18:11

Sem comunicações e com cerca de 50% da população em risco de não ter eletricidade até ao dia 14, a freguesia de Carriço, no concelho de Pombal considera não haver condições para as eleições presidenciais, no domingo.

"Isto está extremamente caótico", disse esta quinta-feira à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Carriço, no concelho de Pombal, Ricardo Grilo, lamentando que "cerca de metade da população esteja há oito dias sem luz e sem comunicações".

De acordo com o autarca na freguesia, com 90 quilómetros quadrados, "existe energia em algumas partes da freguesia", mas falta ligar à rede "entre 40 e 60% dos lugares" onde a Junta já fez "um levantamento de onde é que não há luz e quais são os pontos prioritários", mas, lamentavelmente, "a E-Redes não tem nenhum plano para a reparação".

A junta de freguesia conseguiu, no domingo, que fossem "disponibilizados três geradores", cedidos por duas empresas de Fátima e outra do concelho de Pombal, mas "para colocar os geradores em funcionamento, temos de ter autorização da E-Redes e uma equipa que faça a ligação e indicar em que local é que nós podemos colocar os geradores".

"Lamentavelmente e vergonhosamente, não tivemos a resposta da E-Redes" o que tem indignado a população, num protesto que deverá subir de tom depois de a Junta ter sabido, na última reunião com a empresa, que "até ao dia 08 vão conseguir energizar os PT's (postos de transformação) e, se tudo correr bem, conseguem levar energia até às casas onde há cabos e postos partidos apenas no dia 14 de fevereiro".

"Estamos a falar de mais de três semanas sem energia para muitas destas famílias e, numa freguesia sem zona industrial e com cerca de 200 empresas dispersas pelo território, sem conseguir trabalhar, são milhares de prejuízos".

Desde a depressão Krintin, na "freguesia desprezada", foi a Junta que procedeu à limpeza de estradas e caminhos e à reparação dos edifícios escolares" para abrir o ATL esta semana, com a expectativa de que viria a energia, entretanto".

Mas no Carriço, nem energia, nem água, nem comunicações, à exceção de um 'starlink' instalado na sede da Junta.

"Quem quer telefonar tem de sair da freguesia, quem quer tomar banho tem que ir a Pombal, fazer mais de 20 quilómetros" e a esta população só vai valendo "o apoio que a Freguesia está a dar a dezena e meia de famílias que precisam de bens essenciais, sobretudo comida".

Um cenário de desolação testemunhado à Lusa por um elemento da Assembleia de Freguesia, Nelson Miranda, que garante que "desde sábado não se vê ninguém da E-Redes, nem da Proteção Civil, nem de empresas de telecomunicações a tentar resolver os problemas no terreno", deixando ao abandono a população, maioritariamente idosa.

A Junta de Freguesia "realojou duas famílias, uma das quais já voltou para casa", mas "as pessoas estão a sentir cada vez mais dificuldades, sem eletricidade para conservar alimentos, tal como as empresas, nomeadamente uma de congelados, que perdeu todo o stock", segundo o presidente da autarquia que teme que "não vá haver condições para fazer a votação" das presidências no domingo.

"Essa decisão ainda está a ser equacionada com o município de Pombal, mas, se não houver alterações, acho muito difícil conseguirmos abrir mesas de voto", afirmou Ricardo Grilo.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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