"Isto está extremamente caótico", disse esta quinta-feira o presidente da Junta de Freguesia de Carriço.
Sem comunicações e com cerca de 50% da população em risco de não ter eletricidade até ao dia 14, a freguesia de Carriço, no concelho de Pombal considera não haver condições para as eleições presidenciais, no domingo.
"Isto está extremamente caótico", disse esta quinta-feira à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Carriço, no concelho de Pombal, Ricardo Grilo, lamentando que "cerca de metade da população esteja há oito dias sem luz e sem comunicações".
De acordo com o autarca na freguesia, com 90 quilómetros quadrados, "existe energia em algumas partes da freguesia", mas falta ligar à rede "entre 40 e 60% dos lugares" onde a Junta já fez "um levantamento de onde é que não há luz e quais são os pontos prioritários", mas, lamentavelmente, "a E-Redes não tem nenhum plano para a reparação".
A junta de freguesia conseguiu, no domingo, que fossem "disponibilizados três geradores", cedidos por duas empresas de Fátima e outra do concelho de Pombal, mas "para colocar os geradores em funcionamento, temos de ter autorização da E-Redes e uma equipa que faça a ligação e indicar em que local é que nós podemos colocar os geradores".
"Lamentavelmente e vergonhosamente, não tivemos a resposta da E-Redes" o que tem indignado a população, num protesto que deverá subir de tom depois de a Junta ter sabido, na última reunião com a empresa, que "até ao dia 08 vão conseguir energizar os PT's (postos de transformação) e, se tudo correr bem, conseguem levar energia até às casas onde há cabos e postos partidos apenas no dia 14 de fevereiro".
"Estamos a falar de mais de três semanas sem energia para muitas destas famílias e, numa freguesia sem zona industrial e com cerca de 200 empresas dispersas pelo território, sem conseguir trabalhar, são milhares de prejuízos".
Desde a depressão Krintin, na "freguesia desprezada", foi a Junta que procedeu à limpeza de estradas e caminhos e à reparação dos edifícios escolares" para abrir o ATL esta semana, com a expectativa de que viria a energia, entretanto".
Mas no Carriço, nem energia, nem água, nem comunicações, à exceção de um 'starlink' instalado na sede da Junta.
"Quem quer telefonar tem de sair da freguesia, quem quer tomar banho tem que ir a Pombal, fazer mais de 20 quilómetros" e a esta população só vai valendo "o apoio que a Freguesia está a dar a dezena e meia de famílias que precisam de bens essenciais, sobretudo comida".
Um cenário de desolação testemunhado à Lusa por um elemento da Assembleia de Freguesia, Nelson Miranda, que garante que "desde sábado não se vê ninguém da E-Redes, nem da Proteção Civil, nem de empresas de telecomunicações a tentar resolver os problemas no terreno", deixando ao abandono a população, maioritariamente idosa.
A Junta de Freguesia "realojou duas famílias, uma das quais já voltou para casa", mas "as pessoas estão a sentir cada vez mais dificuldades, sem eletricidade para conservar alimentos, tal como as empresas, nomeadamente uma de congelados, que perdeu todo o stock", segundo o presidente da autarquia que teme que "não vá haver condições para fazer a votação" das presidências no domingo.
"Essa decisão ainda está a ser equacionada com o município de Pombal, mas, se não houver alterações, acho muito difícil conseguirmos abrir mesas de voto", afirmou Ricardo Grilo.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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