Deputado do Livre deu dois exemplos práticos de procedimentos simples que o país já deveria ter aplicado, fruto dos "ensinamentos do apagão" e de outras situações de emergência e catástrofe.
O porta-voz do Livre Rui Tavares saudou algumas das medidas este domingo aprovadas pelo Governo de resposta aos efeitos da depressão Kristin, mas considerou-as tardias e apontou "muitas lacunas" na prevenção e planeamento.
Em declarações à Lusa, o deputado e co-porta-voz do Livre, disse que o partido pretende ter "uma posição equilibrada" nesta matéria, depois de o Governo ter anunciado um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.
"Há algumas medidas que nós acompanhamos e que achamos que fazem todo o sentido, como o 'lay-off' simplificado ou a criação de uma unidade de missão, mas há coisas que são tardias e há muitas lacunas", apontou.
Para Rui Tavares, "do lado da cultura de prevenção e da cultura de planeamento, este Governo não tem querido fazer o esforço que seria necessário fazer" para colocar o país "a par com as melhores práticas europeias", nem tem aproveitado debates que o Livre tem procurado fomentar no parlamento.
"Essas falhas depois pagam-se também em custos que são humanos, que são económicos e que são também da própria resiliência da nossa comunidade", lamentou.
O deputado do Livre deu dois exemplos práticos de procedimentos simples que o país já deveria ter aplicado, fruto dos "ensinamentos do apagão" e de outras situações de emergência e catástrofe.
"Seria muito importante ter uma versão portuguesa de folhetos que são distribuídos por todas as famílias, por exemplo nos países escandinavos, com algumas informações concretas", disse.
Rui Tavares apontou o exemplo sueco em que há um canal da rádio pública, que é dedicado a informação em caso de catástrofe, onde as pessoas sabem que encontram informação em situações de emergências, considerando que tal seria fácil de articular com a RTP e a Lusa em Portugal.
Por outro lado, o deputado do Livre disse estar "pasmado" por o Governo ainda não ter implementado um sistema de alerta de SMS enviados por via rádio, através das torres celulares de telemóvel, permitindo avisar todas as pessoas que se encontrem numa determina área geográfica (incluindo turistas) e que pode ser acompanhado de um alerta sonoro ou luminoso.
"Na altura do 'apagão', foi-me dito pelo ministro das Infraestruturas, Pinto Luz, que estava tudo pronto para avançar (...) O que falta é papelada, assinar um protocolo", criticou, lamentando ainda que o parlamento tenha recusado a proposta do Livre para um inquérito parlamentar sobre a resposta ao apagão de 28 de abril do ano passado.
Quanto às medidas hoje anunciadas, destacou a importância da criação de uma unidade de missão para lidar com uma "catástrofe que é multissetorial", e que tem uma dimensão humana, de perdas materiais e também ecológica.
Segundo Rui Tavares, o Livre vai procurar também dinamizar um debate sobre que entidades são hoje necessárias para a mitigação e a adaptação climática, considerando que o atual Conselho para a Ação Climática não é suficiente por não ter uma função executiva.
"Não podemos dizer que as alterações climáticas são um desafio muito grande e depois não ter, do ponto de vista institucional, as entidades que precisam de lidar com todas as dimensões do problema das alterações climáticas", defendeu.
O deputado saudou ainda que o Governo tenha replicado uma série de medidas que foram aplicadas no tempo da pandemia de covid-19, como moratórias, prazos alargados de impostos ou o 'lay-off' simplificado.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
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