Líder do Chega esteve presente numa arruada em Samora Correia, distrito de Santarém.
Entre selfies e abraços, o candidato presidencial apoiado pelo Chega afastou-se esta quarta-feira de Marcelo, mas não se importava de ter os seus resultados no dia 18, numa arruada em que houve quem desse pela falta da deputada Rita Matias.
"Você roubou-me a selfie!", exclamou uma apoiante de André Ventura para outra, logo no início de uma arruada em Samora Correia, distrito de Santarém, que juntou largas dezenas de apoiantes com um único objetivo: tirar uma fotografia com o líder do Chega.
"Nós aqui não queremos que ninguém roube nada, já basta o que eles roubam", respondeu logo o candidato a Belém que, sem especificar quem são "eles", ia gerindo os inúmeros pedidos para uma fotografia ou um cumprimento.
O percurso arrancou junto à Escola Secundária Professor João Fernandes Pratas, local onde vários jovens -- muitos sem idade suficiente para votar -- se empoleiravam nas grades para ver Ventura e filmavam.
Fora da escola, miúdos e graúdos, empunhando bandeiras, empurravam-se por uma fotografia, numa das arruadas que juntou mais apoiantes desde o início oficial de campanha para as eleições presidenciais de dia 18. Interrogado sobre parecenças com o atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido pelo seu gosto em tirar 'selfies', Ventura afastou-se da atuação do atual incumbente em Belém e disse que será "um Presidente no qual as pessoas podem contar". "Acho que há 10 anos havia algumas pessoas que acharam que pela proximidade Marcelo podia ser diferente.
"Não foi, hoje sabemos que não foi. Eu quero ser diferente", respondeu. Já sobre se haverá outras semelhanças com Marcelo, além das fotografias, Ventura rejeitou fazer análises mas pareceu deixar um desejo: "Talvez os resultados venham a ser parecidos e eu também vença à primeira volta, vamos ver". Enquanto não se concretiza o sonho de uma vitória por larga margem à primeira volta - objetivo que tem sido repetido várias vezes pelo candidato - Ventura aproveitou para uma pausa no café "O Sonho", onde encontrou duas freguesas.
"Tem que se virar para eu ver bem a sua cara", pediu uma das senhoras que o esperava no interior do estabelecimento. Logo depois, a reação: "Ai, é muito charmoso". Ao balcão, os donos do café quiseram oferecer o café a Ventura, que agradeceu, mas uma das funcionárias, que espreitava pelo vidro e via o aparato, não encontrou quem desejava. "Não devias oferecer o café porque ele não trouxe a Rita Matias.
"Leva-a a todo o lado mas não a traz aqui aos maiores fãs", queixou-se. Ventura justificou a ausência da dirigente do Chega, que tem estado presente em praticamente todas as ações de campanha, com o facto de a deputada estar na Assembleia da República, mas prometeu levar-lhe o recado.
Apesar de rejeitar escolher apenas "sítios confortáveis" para fazer campanha, Ventura sabia que estava a jogar em terreno "amigo": no ano passado, o Chega ficou em primeiro em número de votos nas legislativas e nas autárquicas na freguesia de Samora Correia e conta com três deputados eleitos pelo distrito de Santarém.
Pelo caminho, o candidato a Belém ouviu também alguns lamentos, nomeadamente de uma idosa que o interpelou e lhe pediu que "acabe com os subsídios", afirmando que ganha uma reforma que ronda apenas os 400 euros. "Portugal precisa de homens como o senhor", ouviu Ventura, que ao quarto dia oficial de campanha saiu de Samora Correia rumo a Porto de Mós, distrito de Leiria, para um comício ao final do dia.
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