Campanha arrancou este domingo oficialmente e termina no dia 16, para o habitual dia de reflexão na véspera do sufrágio.
A operação dos Estados Unidos na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro foram este domingo o principal tema do arranque oficial da campanha para as eleições presidenciais, com a maioria dos candidatos a condenar a "violação do direito internacional".
Os tons variaram, com a esquerda a criticar a posição do Governo português, mas a condenação da iniciativa militar norte-americana foi transversal entre os candidatos às eleições de 18 de janeiro.
"Que há uma violação do direito internacional - já ontem [sábado] eu disse de manhã - não oferece nenhuma dúvida, não vale a pena estarmos a ser hipócritas", declarou Luís Marques Mendes durante a visita ao Mercado das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria.
O candidato apoiado pelos partidos do Governo (PSD e CDS-PP) admitiu ter ficado "um pouco dececionado" com Donald Trump, "que parecia que estava mais interessado no petróleo do que na democracia", advogando que "não podem ser os Estados Unidos a substituir-se à soberania da Venezuela".
"O que me parece mais importante nesta fase, passadas 36 a 48 horas da operação inicial, é dizer que, de facto, há uma violação grosseira do direito internacional para depor um ditador que a comunidade internacional não conseguiu depor pelos meios diplomáticos e políticos normais, portanto, há uma responsabilidade da comunidade internacional", afirmou João Cotrim Figueiredo, depois de uma corrida entre as Docas e Belém, em Lisboa.
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Durante a visita à Feira do Relógio, em Lisboa, Henrique Gouveia e Melo lembrou que "nenhum país vai conseguir controlar outro" e que já não existem colónias.
"Temos de esperar, temos de ser pacientes, não nos precipitarmos. Os Estados Unidos é um aliado nosso. Nós somos europeus e atlânticos. [...]. E, portanto, temos que ter algum cuidado, algum sentido também de Estado", alertou.
Catarina Martins considerou que a posição assumida por Portugal, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, "é vergonhosa".
"Isto não tem a ver com defender ou não o regime de Nicolás Maduro, tem a ver com questões do direito internacional", vincou a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, em declarações aos jornalistas durante a visita à feira do Canidelo, em Vila Nova de Gaia.
Paulo Rangel defendeu no sábado "uma solução que traga democracia e estabilidade" à Venezuela, admitindo como preferível que o antigo candidato da oposição Edmundo González Urrutia assuma a presidência, "a prazo".
"Muitos consideram esta intervenção, feita nestes termos, independentemente das intenções, que são benignas, não está conforme ao direito internacional, mas tendo em conta a ilegitimidade de Nicolás Maduro e de uma elite do narco-Estado, há quem entenda que possa haver algum grau de legitimação", comentou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Também Jorge Pinto criticou as declarações de Rangel, estimando que os portugueses mereciam ter um executivo que fosse "taxativo a condenar todas as invasões".
"Parece-me, por aquilo que foi dito por parte dos representantes do Governo, que essa condenação não foi cabal, se calhar até inexistente, e acho que os portugueses mereciam mais", disse o candidato apoiado pelo Livre, numa visita ao Mercado de Angeiras, em Matosinhos.
António Filipe uniu já durante a tarde a sua voz à dos outros candidatos de partidos de esquerda, condenando "com muita veemência" a posição do Governo português.
"Acho que envergonha o nosso país que o Governo de Portugal não tenha uma palavra de condenação perante uma violação tão brutal e tão grosseira do direito internacional", afirmou António Filipe, após um contacto com apoiantes no Barreiro, distrito de Setúbal, considerando que a posição de Rangel sobre um novo governo venezuelano "é de uma arrogância intolerável".
André Ventura, por seu lado, apontou a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, como uma "excelente solução" de transição para aquele país, opção já rejeitada pelo presidente dos Estados Unidos.
"Prémio Nobel da Paz, uma mulher, lutadora da liberdade, dos direitos humanos, pode ficar à frente da Venezuela num período de transição, até haver eleições", declarou o também líder do Chega, em Silves, distrito de Faro.
Concorrem também às eleições presidenciais António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana e o músico Manuel João Vieira.
A campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro arrancou este domingo oficialmente e termina no dia 16, para o habitual dia de reflexão na véspera do sufrágio.
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