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Catarina Martins considera vergonhosa posição do Governo português sobre Venezuela

Candidata argumentou que defender Portugal implica defender também o direito internacional.

04 de janeiro de 2026 às 14:48

A candidata presidencial Catarina Martins classificou este domingo de vergonhosa a posição do Governo português face ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, argumentando que defender Portugal implica defender também o direito internacional.

"Isto não tem a ver com defender ou não o regime de Nicolás Maduro, tem a ver com questões do direito internacional", afirmou, considerando que a posição assumida por Portugal no sábado, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, "é vergonhosa".

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à Feira de Canidelo, em Vila Nova de Gaia, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda argumentou que ao não condenar os Estados Unidos, Portugal mostra-se conivente "com a lei do mais forte".

"Essa é a política mais fraca de todas. É a que vai depois dizer a (Vladimir) Putin que pode ficar com a Ucrânia, que a China pode ficar com Taiwan, e que (Donald) Trump, se quiser, também pode vir à Europa buscar a Gronelândia. Isto é inaceitável", acrescentou.

Para Catarina Martins, uma posição que defendesse Portugal seria uma posição de defesa do direito internacional, mas a candidata a Presidente da República acredita que não é tarde para seguir nesse sentido.

"Ainda estamos a tempo para uma articulação da comunidade internacional e dos chefes de Estado de condenação inequívoca do que aconteceu, para defenderem o direito internacional e, com isso, defendermos a paz", concluiu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português defendeu no sábado "uma solução que traga democracia e estabilidade" à Venezuela, admitindo como preferível que o antigo candidato da oposição Edmundo González Urrutia assuma a presidência, "a prazo".

"Temos esta situação de facto e temos de trabalhar para criar uma solução que traga democracia, estabilidade, governabilidade à Venezuela", disse Paulo Rangel, numa declaração à imprensa, no Palácio das Necessidades.

Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

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