Líder do Chega distanciou-se de Donald Trump, que considerou que a vencedora do Prémio Nobel da Paz não "goza do apoio e respeito" necessários para governar.
O candidato presidencial e presidente do Chega considerou este domingo que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, seria uma "excelente solução" de transição para aquele país, opção já rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos da América.
"Eu acho que a María Corina Machado é uma excelente solução. Prémio Nobel da Paz, uma mulher, lutadora da liberdade, dos direitos humanos, pode ficar à frente da Venezuela num período de transição, até haver eleições", considerou o candidato a Belém, em Silves, distrito de Faro.
Momentos antes de uma arruada no concelho, que arrancou junto à Rua 25 de Abril, Ventura voltou a comentar a situação na Venezuela após a intervenção militar dos EUA, no sábado, que levou à detenção do Presidente Nicolás Maduro, levado à força para território norte-americano, onde enfrenta acusações de alegado envolvimento em tráfico de droga e corrupção.
Ventura distanciou-se de Donald Trump, que no sábado considerou que a vencedora do Prémio Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, não "goza do apoio e respeito" necessários para governar o país.
O presidente do Chega defendeu a realização de "eleições justas, livres e democráticas" e não "de fantoche como esses ditadores fizeram e como a maior parte da esquerda e do centro-esquerda da Europa quer apoiar".
A maioria da comunidade internacional, incluindo Portugal e a União Europeia, não reconheceu a reeleição de Maduro em 2024, mas sim de Edmundo González Urrutia, que avançou para a corrida, apoiado por María Corina Machado, impedida de o fazer.
Interrogado sobre se reconhece que os interesses de Trump com esta intervenção parecem ter mais a ver com petróleo do que com valores democráticos, Ventura não respondeu diretamente, insistindo que o que quer "é acabar com os ditadores no mundo inteiro".
O líder do Chega voltou a elogiar a operação militar dos EUA na Venezuela, considerando que "teve a vantagem" de remover "um ditador" do poder.
Ventura rejeitou ainda que a situação na Ucrânia, invadida pela Federação Russa em 2022, tenha paralelo com a atual crise na Venezuela do ponto de vista do desrespeito pelo direito internacional.
O candidato afirmou que, no caso da Ucrânia, está em causa uma "invasão absolutamente ilegítima" face a um Presidente "democraticamente eleito, Volodymyr Zelensky" e, na Venezuela, esteve em causa a "remoção do poder de alguém que é um ditador e um sanguinário".
A crise na Venezuela será tema do próximo Conselho de Estado, na sexta-feira, no qual André Ventura vai participar.
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Horas depois do ataque, e não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
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