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Ventura vê "com naturalidade" eventual apoio de Cotrim, mas acusa-o de ser bloquista "bem vestido"

Líder do Chega disse querer "evitar ao máximo que haja um presidente socialista".

12 de janeiro de 2026 às 13:43

O candidato presidencial André Ventura disse esta segunda-feira ver "com naturalidade" um eventual apoio de Cotrim de Figueiredo numa segunda volta contra Seguro, mas criticou o liberal, classificando-o como um bloquista "de fato e gravata".

"Vejo a declaração do João Cotrim de Figueiredo com naturalidade, de que, como é provável, eu esteja na segunda volta e o [outro] candidato seja o António José Seguro, que esses apoios possam manifestar-se e que isso possa acontecer. Eu também procurarei evitar ao máximo que haja um Presidente socialista", afirmou o também presidente do Chega.

Ventura falava aos jornalistas durante uma visita à Adega de Vila Real, depois de o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal ter afirmado esta segunda-feira de manhã, em Castelo Branco, que não exclui apoiar nenhum candidato numa segunda volta na qual não esteja, incluindo o líder do Chega. 

"O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente", considerou Cotrim. 

Interrogado sobre se também apoiaria Cotrim caso o opositor do liberal numa segunda volta fosse Seguro, Ventura respondeu que não está a colocar esse cenário em cima da mesa, afirmando que "todas as sondagens" o colocam numa segunda volta. 

"Se isso não acontecer, falaremos novamente e já sabem qual é o meu princípio: evitar ao máximo que haja um presidente socialista", acrescentou. 

Apesar de ver "com naturalidade" um eventual apoio de Cotrim, Ventura não poupou críticas ao adversário liberal. 

"Na verdade, o João Cotrim de Figueiredo não se distingue muito dos outros candidatos em relação ao PS e ao PSD. Portanto, na verdade, em termos de modelo é mais ou menos a mesma coisa, é uma espécie de Bloco de Esquerda, mas bem vestido", criticou.

Ventura acusou Cotrim de ser "a favor da legalização da prostituição, das drogas" e "contra o aumento de penas para os crimes".

Durante a visita, e enquanto conversava com o presidente da adega, Ventura fez referência ao lema "Deus, Pátria, Família e Trabalho", que já utilizou noutras ocasiões, acrescentando a palavra "Trabalho" ao lema da ditadura de António Oliveira Salazar.

Interrogado sobre se este é o lema da sua campanha, Ventura respondeu que "com muito orgulho seria" e considerou que "tem de perder o medo às palavras", porque "nenhum destes valores é mau".

Já sobre se esse lema significa um regresso ao passado da ditadura no país, Ventura negou, afirmando que se trata de "um regresso ao futuro".

"O futuro da ordem, o futuro da segurança, o futuro da prosperidade, o futuro de um país que se levanta e não de um país que está todos os dias mergulhado em caos", acrescentou.

Já sobre se teme perder apoios de setores do PSD com a utilização desta mensagem, Ventura contrapôs que "tem ouvido 'Deus, Pátria, Família e Trabalho' em muitos países de língua portuguesa" e em "países que nem têm nada a ver com espetro da direita ou da esquerda".

Ventura, que tem sido o rosto do Chega em várias eleições nos últimos anos, foi interrogado sobre se esta é a eleição mais importante para si. O deputado rejeitou centrar a resposta em si e respondeu apenas que "esta é a eleição mais decisiva para Portugal e para os portugueses".

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