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Estados Unidos foram com tudo para o golfo Pérsico

Presidente dos EUA mostrou estranheza pelo facto de o Irão ignorar os seus avisos e não se deixar intimidar pelo cerco que estava a ser montado à sua volta.

01 de março de 2026 às 01:30

Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Médio Oriente, admitiu, em entrevista recente à Fox News, que a reação do Irão às ameaças dos EUA estavam a deixar o Presidente norte-americano “curioso”. Não tanto pelos avisos constantes de Trump sobre uma intervenção militar iminente no regime dos aiatolas, que pareciam estar a ser ignorados, mas pelo impressionante aparato militar estacionado na região do golfo Pérsico: dos porta-aviões ‘USS Gerald R. Ford’ e ‘USS Abraham Lincoln’, e respetivas escoltas, aos aviões de combate F-35, F-22 e F-16, passando pelos sistemas de defesa aérea Patriot e THAAD. E não só.

As bases dos EUA no Médio Oriente - e até em pontos mais distantes, como os Açores - conheceram nos últimos dias importantes movimentações, nomeadamente no reforço da capacidade militar. Prenúncios do inferno que estava para vir. Acrescia, ainda, o apoio incondicional do grande aliado dos EUA na região, Israel, que tinha manifestado total disponibilidade para participar num ataque ao Irão. Nada disto parecia intimidar Teerão. Estaria a fazer ‘bluff’ ao não dar sinais de rendição, perante o poderoso cerco que se montava à sua volta? A resposta à curiosidade de Trump chegou este sábado, com a operação conjunta das forças israelitas e norte-americanas. É provável que o líder da Casa Branca tenha sito pressionado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a agir de imediato, sobretudo depois do fracasso da ronda de negociações realizada esta semana em Genebra (Suíça) sobre o programa nuclear iraniano. Certo é que a retaliação das forças iranianas, sobretudo o ataque às bases norte-americanas estacionadas no golfo Pérsico, mostraram que Teerão vai vender cara a derrota.

O próprio Donald Trump, ao admitir baixas nas forças norte-americanas, percebeu que a “fúria épica” é uma operação de alto risco, apesar da desproporcionalidade de forças, e da qual poderá não colher dividendos políticos, numa altura em que se aproximam as eleições intercalares nos EUA, estando a sua popularidade em queda.

E TAMBÉM

Condenação

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos condenou os ataques ao Irão e respetiva retaliação, lembrando que serão os civis que pagarão o preço mais elevado. “As bombas e os mísseis não são a forma de resolver as diferenças, apenas causam morte, destruição e sofrimento humano”, alertou Volker Turk nas redes sociais.

Crise

O Irão atravessa uma das crises mais graves da história recente, com 90 milhões de habitantes a lutarem contra uma inflação e um colapso monetário sem precedentes. Em janeiro, um dólar valia entre 1,4 e 1,5 milhões de riais (moeda iraniana).

Preço do petróleo

O ataque ao Irão pode ter impacto no mercado petrolífero devido a uma potencial queda da oferta. O Irão é um grande produtor e pode fechar o estreito de Ormuz.

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