"Um cenário de morte explícita": Enviado especial da CMTV à Ucrânia relata como foi estar um mês na frente de guerra

"Bucha, Irpin, Hostomel foram provavelmente das cidades mais difíceis para se trabalhar", contou Alfredo Leite.

12 de abril de 2022 às 22:48
Partilhar

Depois de mais de um mês na Guerra na Ucrânia, o enviado especial da CMTV Alfredo Leite, voltou a Portugal e conta o cenário de horror que encontrou e alguns momentos que o marcaram. "Bucha, Irpin, Hostomel foram provavelmente das cidades mais difíceis para se trabalhar", contou.

"O que se encontrava em Bucha era um cenário de destruição total e de morte explícita ou implícita", destacou o diretor-adjunto do Correio da Manhã, acrescentando que isso desmentia o que os russos diziam sobre não atacar civis. "O objetivo foi destruir civis, estruturas militares e semear o medo", salientou Alfredo Leite.

Pub

De acordo com Alfredo Leite, Borodyanca, uma das cidades vizinhas de Bucha, "tinha muito mais rasto de destruição mas menos mortes explícitas". "Os mísseis eram de tal intensidade que cortavam os prédios a meio e havia um enorme desmoronamento de pedras", destacou o enviado especial da CMTV.

Nessa cidade onde Alfredo Leite diz ter havido uma violência extrema como nunca tinha visto, "há a informação de que muitos cadáveres podem estar debaixo dos escombros", uma vez que quando havia alertas de ataque aéreo as pessoas iam para as caves dos prédios.

Pub

Em Malaya Rohan, uma pequena aldeia que servia de linha da frente de ataque à cidade de Kharkiv, na qual as tropas ucranianas conseguiram neutralizar as tropas russas, "foi a primeira vez que consegui perceber como os russos viviam", relatou o jornalista. Aí, a destruição era do lado inimigo, onde Alfredo conseguiu ver "soldados russos dentro das trincheiras".

Na jornada de mais de um mês, o jornalista foi encontrando alguns refugiados com histórias que o tocaram. "Um deles trazia apenas o isqueiro do pai e o lenço da mãe", contou Alfredo, referindo ainda que o rapaz já tinha enterrado os pais no jardim de casa.

"O que impressionava era o vazio do olhar profundamente perdido de quem não sabe que futuro vai ter", disse Alfredo, considerando que talvez tenha sido o que mais lhe custou durante todo este tempo em território ucraniano.

Pub

Alfredo Leite, de regresso a Portugal, traz também boas memórias como a de uma família que o recebeu em Kharkiv. No meio "do caos" e dos "bloqueios às janelas" como prevenção a possíveis bombardeamentos, uma ucraniana, Tatiana, tocava Chopin ao piano. "É um dos momentos que nunca vou esquecer", referiu o diretor-adjunto do Correio da Manhã.

"Os ucranianos são genuinamente pessoas boas e estiveram sempre disponíveis para ajudar", terminou, em lágrimas, o enviado especial da CMTV.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar