Caçada aos russos porta a porta: Tensão na periferia de Bucha
Contra-ataque ucraniano obriga a saída atabalhoada dos militares russos da cidade.
O outrora assético consultório médico é agora um espaço imundo, com roupa espalhada pelo chão, pegadas de terra preta e beatas de cigarros que enchem uma lata verde-tropa que foi de ração de combate. O consultório é um dos muitos de uma moderna clínica localizada num dos poucos prédios da periferia de Bucha que não foi destruído quando as tropas de Vladimir Putin ocuparam esta cidade-satélite da capital ucraniana, Kiev. A qualidade das habitações, muitas com vista para o bosque onde progrediam os militares russos, e a existência de uma unidade médica moderna no rés do chão eram condições suficientes para aliciar os invasores a montar aqui um posto avançado.
Só que o contra-ataque ucraniano, que devolveu o controlo da cidade há menos de uma semana, obrigou a uma saída atabalhoada dos russos e muitas coisas foram deixadas para trás. Roupas, equipamento e comida. Os militares da Força de Defesa Territorial acreditam que também homens possam ter ficado esquecidos. “Temos suspeitas de que alguns russos ainda possam andar aqui, talvez perdidos ou até feridos e por isso fazemos estes ‘raids’ porta a porta”, explica Dmitry Shevchenko.
O operacional da Defesa Territorial e chefe de departamento no Ministério das Infraestruturas da Ucrânia sobe até ao quinto andar em passo ligeiro pelas escadas. Aponta a metralhadora Kalashnikov e a lanterna para as portas arrombadas do piso. Os russos destruíram tudo o que lhes aparecia à frente. As casas, de acabamento moderno, estão transformadas em pardieiros. Há comida espalhada pelo chão. Dmitry filma a destruição com o telemóvel. Desta vez não usou as algemas penduradas no colete à prova de bala. Regressamos à clínica para procurar mais estragos. Medicamentos e outros produtos médicos foram levados. A caixa multibanco existente na unidade de saúde destruída e o dinheiro roubado. Numa sala onde os computadores foram abertos e discos duros retirados há anotações num bloco. Ao lado repousa um pequeno maço de minúsculos cartuchos de papel. Dmitry abre um. Tem um pó branco: “É cocaína”, garante. “Eles [os russos] usam tudo o que os obriga a ficar acordados muitas horas”. A busca segue mais adiante.
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