Zelensky afasta eleições porque “dividiria a Ucrânia”
Presidente ucraniano diz que a realização de um escrutínio, defendida pelo seu ex-ministro da Defesa, representaria “um risco enorme” em tempos de guerra.
“Numa guerra como esta, as eleições, por si só, representam um risco enorme.” Foi assim que o Presidente ucraniano respondeu ao controverso apelo do seu ex-ministro da Defesa para realizar um escrutínio, sublinhando que as eleições seriam um “tsunami” que “dividiria a Ucrânia”.
“Se quisermos destruir o país, então podemos avançar para a realização de eleições nestes tempos de guerra. [...] É impossível nas condições em que nos encontramos atualmente, quando Putin não está disposto a considerar opções para um cessar-fogo”, notou Volodymyr Zelensky, apontando que organizar uma eleição exigiria lidar com uma série de obstáculos, como os votos dos soldados destacados no campo de batalha, os milhões de refugiados no estrangeiro e os ucranianos residentes em territórios ocupados por Moscovo.
O apelo do seu ex-ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, para a realização de eleições, causou mal-estar até entre os seus apoiantes. “Não devemos ter medo de discutir isto. É disso que se trata a democracia. Se eu não posso partilhar as minhas ideias e ser transparente com a minha própria sociedade, então porque estamos a lutar?”, questionou Fedorov, para quem “a democracia não deve ser refém de Putin”. Pioneiro na utilização de drones na guerra com a Rússia, o antigo ministro foi substituído no mês passado, aparentemente por divergências com o chefe das Forças Armadas da Ucrânia, tendo a sua destituição dado origem a protestos que juntaram milhares de pessoas em várias cidades ucranianas. “Se as eleições nunca fossem realizadas, então deixaríamos de ser uma democracia”, afirmou Fedorov.
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