"Não creio que chegaremos a utilizá-las", referiu o Secretário-Geral do Conselho de Segurança da Bielorrússia, Alexander Volfovich.
O Secretário-Geral do Conselho de Segurança da Bielorrússia, Alexander Volfovich, descartou esta quinta-feira o uso das armas nucleares táticas russas que serão em breve enviadas para o território da antiga república soviética.
"O importante não é a quantidade, o importante é a qualidade e o saber o que usar e quando usar. E nós sabemos como fazer isso... [mas] não creio que chegaremos a utilizá-las", afirmou Volfovich, citado pela agência noticiosa bielorrussa Belta.
O responsável bielorrusso, que falava aos jornalistas à margem da reunião do conselho supremo da União Estatal, que integra a Rússia e a Bielorrússia, enfatizou que as armas nucleares, sejam táticas ou estratégicas, "destinam-se a garantir a segurança" dos dois países.
Quanto aos prazos para o envio, admitiu que é uma decisão que cabe aos presidentes russo, Vladimir Putin, e bielorrusso, Alexander Lukashenko.
"Depende deles", frisou Volfovich.
Putin anunciou um acordo com Minsk para o envio de armas nucleares táticas, cujos silos para a respetiva instalação estão a ser construídos desde terça-feira.
Embora Lukashenko tenha dito que toda a infraestrutura está pronta, Putin especificou que os silos deverão estar concluídos até julho.
Além disso, o líder bielorrusso estava disposto a aceitar, se necessário, armas estratégicas na forma de mísseis intercontinentais, como nos tempos soviéticos.
Lukashenko, que está a cumprir uma visita oficial a Moscovo, reconheceu ter discutido quarta-feira esta questão, bem como a cooperação técnico-militar em geral, com Putin, no Kremlin.
Nesse sentido, o Presidente bielorrusso pediu a destruição de todas as armas nucleares existentes no mundo e, na falta disso, exigiu que os Estados Unidos retirem todas as suas armas estratégicas do exterior, especialmente da Europa.
"Vamos reunir todas as armas nucleares e destruí-las! [...] Essa é a melhor opção, mas, por enquanto, estamos a fazer como eles [Estados Unidos]", afirmou Lukashenko à televisão estatal russa.
O Presidente bielorrusso acusou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) de recorrer à pressão militar nas fronteiras dos dois países depois de fracassar na formação de um bloco económico.
"A retórica de um conflito militar global está a intensificar-se", alertou Lukashenko durante a reunião da União Estatal, onde russos e bielorrussos aprofundaram a cooperação, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, da campanha militar russa na Ucrânia.
No entanto, garantiu que o sistema de segurança da União Estatal, que inclui um grupo militar regional e um sistema conjunto de defesa antiaérea, funciona "de forma eficaz".
"Se necessário, usaremos tudo o que temos para defender os nossos Estados e nossos povos. Não chantageamos ninguém. Assim será", concluiu.
Esta quinta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, insistiu que a decisão de enviar armas nucleares táticas de curto alcance para a Bielorrússia constitui uma resposta à decisão da NATO de se aproximar das fronteiras russas
"A NATO está a expandir-se até às fronteiras com a Rússia. Não é a Rússia que está a acercar-se, com a sua infraestrutura militar, das fronteiras com a NATO. Este é um movimento na direção oposta", afirmou Peskov.
No final de março, Putin deu conta de um acordo para a implantação de armas nucleares táticas russas no território da Bielorrússia em resposta ao anúncio britânico do fornecimento de munições de urânio empobrecido às Forças Armadas ucranianas.
Segundo Putin, a construção das instalações para o armazenamento de armas nucleares táticas na Bielorrússia será concluída a 01 de julho, embora as armas permaneçam sempre sob controlo russo.
A Bielorrússia tem há meses mísseis táticos Iskander, capazes de transportar ogivas nucleares e a Rússia já tem até dez aeronaves de combate com capacidade nuclear destacados em território bielorrusso.
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