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Central nuclear de Zaporijia em risco após perda de ligação elétrica

Desconexão da linha de transmissão aérea aconteceu esta tarde, mas as causas não foram precisadas pela Energoatom.

03 de julho de 2026 às 23:39

A central nuclear de Zaporijia, controlada pela Rússia em território ucraniano, perdeu o fornecimento externo de energia devido à desconexão da linha de transmissão aérea que a liga à rede elétrica da Ucrânia, segundo a empresa estatal Energoatom.

"Como resultado da perda do fornecimento de energia externa, a central nuclear de Zaporizhzhia passou a utilizar geradores a diesel para satisfazer as suas próprias necessidades operacionais", adiantou a empresa ucraniana que gere as centrais nucleares do país, citada pelos media locais.

A desconexão da linha de transmissão aérea aconteceu esta tarde, mas as causas não foram precisadas pela Energoatom.

Cada perda de energia externa, salienta a empresa, representa uma ameaça à segurança nuclear e radiológica, dado que o fornecimento fiável de eletricidade é fundamental para a operação segura da central e para os sistemas que fornecem arrefecimento ao combustível nuclear.

"A única forma de garantir o funcionamento seguro da central nuclear de Zaporijia é o seu rápido regresso ao controlo total da Ucrânia e do seu único operador legítimo, a JSC Energoatom, que é capaz de assegurar o funcionamento seguro e estável da central de acordo com as normas internacionais de segurança nuclear", refere o comunicado.

Segundo a agência ucraniana Ukrinform, a linha de transmissão de Dniprovska, essencial para a segurança da central nuclear de Zaporijia, foi reparada, mas ainda não pode ser colocada em funcionamento porque a subestação sofreu danos significativos nos bombardeamentos frequentes na região.

Também esta sexta-feira, ataques russos contra a Ucrânia fizeram pelo menos cinco mortos, enquanto bombardeamentos ucranianos contra a Rússia e territórios ucranianos ocupados por Moscovo causaram 10 mortes, segundo as autoridades dos dois países.

A nova vaga de ataques ocorre um dia depois do maior bombardeamento russo com drones e mísseis contra Kiev desde o início da invasão, em fevereiro de 2022, que provocou pelo menos 30 mortos e cerca de uma centena de feridos na capital ucraniana.

A Ucrânia tem intensificado os ataques contra território russo e zonas ocupadas por Moscovo, justificando-os como resposta aos bombardeamentos russos quase diários desde o início da guerra.

Após os ataques de larga escala contra Kiev na noite de quarta para quinta-feira, a Ucrânia prometeu responder "na mesma moeda", enquanto a Rússia anunciou que pretende prosseguir a campanha de bombardeamentos.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

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