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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Central nuclear de Zaporijia recupera energia externa

Diretor da AIEA, Rafael Grossi recorda ainda que a situação continua "extremamente delicada".

04 de julho de 2025 às 23:09

A central nuclear de Zaporijia, na Ucrânia, ocupada pelas tropas russas desde 2022, recuperou a energia externa ao fim de três horas e meia, embora a situação no local continue "extremamente delicada", frisou o diretor da AIEA, Rafael Grossi.

Zaporijia, a maior central nuclear da Europa, perdeu a ligação à rede elétrica exterior, obrigando-a a ativar os seus geradores de emergência a diesel, tinha alertado a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Foi a nona vez desde o início da guerra que a central ficou sem energia externa e a primeira desde o final de 2023, detalhou Grossi, numa mensagem na rede social X.

"A central depende agora dos seus geradores de emergência a diesel, o que sublinha a extrema precariedade da situação da segurança nuclear", salientou o diplomata argentino.

Embora os seis reatores da central estejam desligados, os seus sistemas de arrefecimento e segurança ainda precisam de uma fonte de energia estável para o arrefecimento e outras tarefas essenciais.

Pelas 20:00 (hora de Lisboa), a AIEA adiantou que a energia tinha sido restabelecida, mas Grossi observou que a situação da segurança nuclear na Ucrânia é "extremamente delicada".

A AIEA, que mantém uma missão permanente em Zaporijia desde setembro de 2022 e envia também equipas para outras centrais nucleares ativas, desempenha um papel fundamental na monitorização e na proteção das instalações nucleares ucranianas desde o início da invasão russa.

No caso de Zaporijia, Grossi tem exigido repetidamente uma zona desmilitarizada para evitar qualquer tipo de incidente nuclear, mas a sua proposta não foi atendida.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.

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