"Tememos não encontrar ninguém com vida”, disse conselheiro do presidente da câmara.
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O som das bombas desapareceu esta quarta-feira de Kiev, o que indiciará o controlo da capital pelas tropas ucranianas e confirmará a fuga do invasor russo rumo a norte, para a Bielorrússia. Mas o calar das armas na região também está a revelar os horrores desta guerra e a violência extrema com que a chamada ‘batalha de Kiev’ foi travada.
Depois das atrocidades em Bucha, agora emerge a barbárie de Borodyanka. A violência da ofensiva russa contra esta cidade, a cerca de 50 quilómetros a noroeste de Kiev, deixou-a arrasada. Vários prédios foram atingidos por mísseis que cortaram os edifícios, literalmente, a meio. Os impactos fizeram desmoronar as estruturas, transformando os imóveis em montes de entulho e é sua remoção que pode vir a revelar a catástrofe humana de Borodyanka. Anatoliy Rudnichenko, conselheiro do presidente da câmara de Borodyanka, disse esta quarta-feira aos jornalistas que “cerca de 200 pessoas podem ter ficado presas nos abrigos subterrâneos dos prédios” quando a pesada artilharia russa bombardeou os apartamentos.
“A esperança é a última a morrer, mas tememos não encontrar ninguém com vida”, disse. A procuradora-geral da República da Ucrânia vai mais longe: A invasão russa configura “crimes contra a Humanidade e contra a Ucrânia”, refere a procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova.
Zhanna Demchuk sabe do que fala Venediktova. “Quando invadiram Borodyanka eles [os russos] ocuparam as nossas casas. Obrigaram-nos a sair. Sei de pessoas que foram mortas porque resistiram”, contou Demchuk ao CM enquanto revirava a sua casa bombardeada. “Vê isto? Há por todo o prédio”. Zhanna Demchuk aponta para as embalagens cartão verde, com uma estrela estampada, que guarda as rações de combate russas. “Primeiro comeram a nossa comida, depois acabou e voltaram a comer a deles”, acrescenta. Demchuk mora perto da praça principal de Borodyanka. A zona foi particularmente massacrada e os edifícios esventrados e queimados provam-no. No meio da praça, a enorme estátua de bronze do poeta Taras Shevchenko não escapou à fúria russa. Foi alvejada com um tiro na testa.
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