Chefe do Governo alemão afirmou que a Alemanha está preparada, se necessário, para suportar uma fase de preços elevados dos hidrocarbonetos.
O chanceler alemão rejeitou esta terça-feira qualquer suspensão das sanções à Rússia, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado na segunda-feira o levantamento temporário das penalidades às petrolíferas russas.
"Não há motivo para pensar em relaxar as suspensões à Rússia", disse Friedrich Merz. numa conferência de imprensa em Berlim com o homólogo checo, Andrej Babis.
"Se tivermos de escolher entre sanções e solidariedade, a nossa atitude é clara, estamos do lado da Ucrânia", acrescentou o chefe do Governo alemão, ao mesmo tempo que afirmou que a Alemanha está preparada, se necessário, para suportar uma fase de preços elevados dos hidrocarbonetos.
Trump disse na segunda-feira que vai suspender algumas sanções sobre o petróleo "para baixar os preços", após o valor do barril de crude ter disparado devido à guerra com o Irão.
Segundo o Presidente dos Estados Unidos, a decisão visa "estabilizar os preços e garantir o fluxo de petróleo através de zonas estratégicas como o Golfo", uma região afetada pela campanha de bombardeamentos dos EUA e de Israel contra o Irão iniciada em 28 de fevereiro.
"Vamos também levantar algumas sanções relacionadas com o petróleo para baixar os preços. Temos sanções contra certos países. Vamos levantar essas sanções até que a situação melhore. Depois disso, quem sabe? Talvez não precisemos de repor as sanções. Haverá muita paz", referiu o chefe de Estado norte-americano numa conferência de imprensa na Florida, após falar por telefone com o Presidente russo, Vladimir Putin.
"A ajuda à Ucrânia não deve parar, temos de continuar a apoiar para travar a guerra de agressão russa", sublinhou Merz.
A Alemanha é o país europeu que mais apoio militar prestou à Ucrânia, com um montante estimado em 20 mil milhões de euros até dezembro de 2025, de acordo com dados do Instituto de Kiel, um centro alemão de estudos económicos que regista a ajuda internacional ao país invadido pela Rússia.
Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à estação Fox Business que o Governo estava a considerar suspender as sanções ao crude russo para melhorar o fornecimento global e controlar os fortes aumentos de preços após o início da guerra de preços.
Anteriormente, o Tesouro anunciou que permitiria à Índia comercializar petróleo russo retido no mar durante 30 dias.
Trump descreveu ainda a conversa telefónica com Putin como "muito boa", sublinhando que envolveu temas como "a Ucrânia, uma guerra sem fim".
"Mas acho que esta chamada foi positiva nesse sentido", acrescentou.
Donald Trump revelou que pediu ao homólogo russo que pusesse fim à guerra na Ucrânia "se quisesse ajudar" a atenuar o conflito de Washington com o Irão no Médio Oriente.
A conversa foi a primeira entre Trump e Putin desde dezembro de 2025.
Durante a conversa, Putin manifestou o apoio inabalável de Moscovo a Teerão após a eleição de Mojtaba Khamenei como sucessor do seu pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei, enquanto Trump considerou isso inaceitável.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano". No primeiro dia de ataques, mataram o líder supremo iraniano, bem como dezenas de responsáveis militares.
Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.
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