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Montenegro garante que está "fora de hipótese" tropas portuguesas na Ucrânia enquanto "houver guerra"

Primeiro-ministro deixou em aberto que, no futuro, Portugal pode integrar uma missão de paz quando existir um cessar-fogo.

06 de janeiro de 2026 às 18:22

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta terça-feira em Paris que está “fora de hipótese” a presença de “tropas portuguesas na Ucrânia enquanto houver guerra”.

O primeiro-ministro, contudo, tal como já tinha referido em declarações anteriores, deixou em aberto a possibilidade de, "no futuro", poder existir uma participação “numa equipa que possa estar alocada numa missão de paz”. “Faz parte dos nossos compromissos internacionais no seio da NATO e da UE”, aludiu.

“Quando houver uma paz consolidada, com um cessar-fogo e condições para ter no terreno forças desta coligação, nós colocaremos essa questão. Mas não estou com isto a adiantar que vamos chegar a esse ponto, porque pode nunca ser necessário, mesmo no contexto de uma paz consolidada", acrescentou.

Montenegro fez ainda questão de sublinhar que “Portugal estará sempre à altura das suas responsabilidades”, e frisou que o país já está “a colaborar do ponto de vista de capacidades aéreas e marítimas”.

Copresidida por pelo presidente francês, Emmanuel Macron, com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, a cimeira desta terça-feira no Palácio do Eliseu contou com a presença de representantes dos membros da Coligação, incluindo 27 chefes de Estado e de Governo, após a videoconferência realizada no passado dia 11 de dezembro.

Luís Montenegro considerou que "o balanço é muitíssimo positivo" tendo em conta a participação, pela primeira vez, dos Estados Unidos, numa delegação liderada pelo enviado especial do Presidente norte-americano para a Ucrânia, Steve Witkoff, bem como do o genro de Donald Trump, Jared Kushner.

A chamada Coligação da Boa Vontade, também designada por Coligação dos Voluntários ou Coligação dos Dispostos, foi criada em Paris na primavera passada pela França e pelo Reino Unido para ajudar a Ucrânia, juntando 35 países, incluindo a maioria dos Estados europeus, o Canadá, Austrália, Japão e Turquia.

Entre os participantes na cimeira encontrava-se ainda o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O secretário de Estado, Marco Rubio, cancelou a viagem à capital francesa devido à operação norte-americana na Venezuela.

O encontro ficou também ensombrado pelas ambições de Trump de anexar a Gronelândia, território autónomo que faz parte do reino da Dinamarca.

Portugal e outros países aliados defenderam a soberania da ilha que depende da Dinamarca, numa declaração conjunta em que afirmaram que a segurança do Ártico é "uma prioridade" para a Europa.

Na agenda da reunião estava previsto discutir-se formas de monitorizar um eventual cessar-fogo na Ucrânia; o apoio às forças armadas ucranianas; a mobilização de uma força multinacional por terra, mar e ar; compromissos em caso de novas agressões por parte da Rússia; e cooperação a longo prazo com a Ucrânia em matéria de defesa, indicou o Eliseu.

A cimeira foi precedida por uma reunião, também em Paris, entre os chefes do Estado-Maior da França, Reino Unido, Ucrânia e Estados Unidos para debater e tentar concretizar as garantias de segurança na Ucrânia.

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