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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Von der Leyen anuncia novo fundo com investimento privado para reconstrução da Ucrânia

Até 2026 serão mobilizados 500 milhões de euros.

10 de julho de 2025 às 13:44

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou esta quinta-feira em Roma a criação de um fundo europeu que utilizará dinheiros públicos para atrair investimentos privados para a reconstrução da Ucrânia, esperando mobilizar 500 milhões de euros até 2026.

"Este fundo irá impulsionar o investimento nos setores da energia, dos transportes, das matérias-primas essenciais e das indústrias de dupla utilização", anunciou a presidente do executivo comunitário na sua intervenção de abertura na IV Conferência sobre a Reconstrução da Ucrânia, que decorre entre esta quinta e sexta-feira em Roma.

Sublinhando que o objetivo é "mobilizar fundos públicos para atrair investimentos em grande escala do setor privado e ajudar a reconstruir o país", Von der Leyen manifestou-se "particularmente satisfeita" por este projeto contar com o envolvimento de Itália, Alemanha, França, Polónia e do Banco Europeu de Investimento (BEI).

"E espero que outros queiram juntar-se a nós. O povo da Ucrânia está pronto a conduzir a economia do seu país para o futuro. O momento de investir é agora", disse.

Com um capital inicial de 220 milhões de euros, o Fundo Europeu de Iniciativa Especial para a Reconstrução da Ucrânia tem por objetivo mobilizar 500 milhões de euros até 2026, estando prevista uma nova angariação de fundos à medida que as condições de segurança melhorarem, especificou a Comissão Europeia em comunicado entretanto divulgado.

"O fundo emblemático promoverá o desenvolvimento de um ecossistema de capitais privados na Ucrânia, atraindo novos capitais e maximizando as sinergias com os atuais intervenientes no mercado", assinalou a Comissão Europeia.

"A nossa determinação é inabalável, o nosso apoio é inabalável. Porque estaremos sempre ao lado da Ucrânia, durante o tempo que for necessário. Agora, mais do que nunca, a Ucrânia pode contar com a Europa. A nossa solidariedade mantém-se em todas as frentes - militar, financeira e política", disse a presidente da Comissão na sua intervenção.

Recordando que, "desde a invasão em grande escala" por parte da Rússia, em fevereiro de 2022, "a Europa tem sido e é o maior doador da Ucrânia, com quase 165 mil milhões de euros de apoio", Von der Leyen apontou que, só este ano, a UE cobrirá "84% do financiamento externo necessário".

"Como parte deste apoio, posso anunciar o pagamento de mil milhões de euros em apoio macrofinanceiro, bem como um pagamento de mais de 3 mil milhões de euros do Mecanismo de Apoio à Ucrânia", disse.

Von der Leyen anunciou também que, durante a conferência de Roma, deverá ser formalizado um novo pacote de acordos no valor de 2,3 mil milhões de euros com instituições financeiras públicas internacionais e bilaterais para apoiar os esforços de recuperação e reconstrução da Ucrânia, no âmbito do Quadro de Investimento para a Ucrânia, que inclui 1,8 mil milhões de euros em garantias de empréstimo e 580 milhões de euros em subvenções.

"As garantias e subvenções que estamos a assinar nesta Conferência deverão desbloquear mais de 10 mil milhões de euros em investimentos para o crescimento, a recuperação e a reconstrução. E asseguraremos que a Ucrânia seja apoiada até 2028 e mais além, quando o novo orçamento europeu entrar em vigor", afirmou.

Na abertura da conferência, a anfitriã, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni -- que copreside aos trabalhos juntamente com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky -, já anunciara que os compromissos de ajuda a assumir nesta conferência de Roma deverão superar os 10 mil milhões de euros.

Roma acolhe entre esta quinta e sexta-feira a IV Conferência sobre a Recuperação da Ucrânia, uma reunião dedicada à reconstrução a longo prazo do país, quando o fim da guerra parece ainda distante, face à intensificação dos ataques russos, que levou esta quinta-feira Zelensky a apelar também a uma "aceleração" da ajuda dos aliados de Kiev e imposição de sanções a Moscovo.

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