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Onde esteve o corpo de Ali Khamenei nos últimos quatro meses?

Líder Supremo do Irão morreu a 28 de fevereiro mas só vai ser sepultado na próxima quinta-feira.

05 de julho de 2026 às 15:19

Ali Khamenei morreu a 28 de fevereiro deste ano, na sequência de um ataque dos Estados Unidos em Teerão, mas só quatro meses depois será sepultado. Embora as tradições islâmicas exijam um funeral quase imediato - de preferência 24 horas a seguir à morte -, o regime iraniano aplicou uma exceção religiosa para justificar o adiamento das cerimónias fúnebres. Mas, onde esteve o corpo do aiatola, de 86 anos, durante todo este tempo?

Sem poderem fazer um funeral de estado, digno de um líder que governou o país durante 38 anos, devido ao conflito com os Estados Unidos e Israel, as autoridades do país recorreram a câmaras de refrigeração de alta capacidade e temperaturas extremamente baixas para conservar o corpo.

O congelamento profundo permitiu a conservação intacta durante mais de quatro meses sem a necessidade de realizar um embalsamamento químico tradicional, normalmente proibido pelas práticas islâmicas. Os corpos de outros familiares do aiatola mortos no mesmo ataque - a mulher, a filha, o genro, a neta e a nora - foram também preservados da mesma forma. 

Foi tudo feito no máximo secretismo, seguindo um rigoroso plano de segurança. O corpo deixou as instalações secretas na última sexta-feira, quando o caixão foi transportado para a Grande Mosalla de Teerão para o início do velório público, que contou com a presença de milhares de pessoas. Fiéis e autoridades reúnem-se no local para prestar homenagens públicas.

Segue-se um cortejo fúnebre amanhã, segunda-feira, pelas principais avenidas de Teerão. Terça e quarta-feira o corpo será transportado para a cidade santa de Qom (no Irão) e, em seguida, para as cidades sagradas xiitas no Iraque (Bagdá, Najaf e Karbala), onde terão lugar orações fúnebres de grande importância religiosa.

Na quinta-feira o enterro definitivo terá lugar no prestigiado Santuário do Imã Reza, localizado em Mashhad, a cidade natal de Ali Khamenei e onde o seu pai também está sepultado.

Todas estas cerimónias decorrem sob fortes medidas de segurança, num contexto de um cessar-fogo muito frágil. O Irão reforçou os sistemas de defesa antimíssil em Teerão e em redor da Grande Mosalla, para prevenir qualquer ataque aéreo ou de drones; o sinal de internet móvel e as redes de comunicação foram fortemente limitadas na capital, para evitar a ativação de engenhos explosivos remotos, e milhares de militares patrulham as ruas e controlam os acessos aos locais de oração. 

O filho e sucessor de Khamenei, Mujtaba Khamenei não está presente, por questões de segurança. Ferido nos mesmos ataques que mataram o pai, a mãe e a irmã, o atual líder do Irão não tem aparecido publicamente.  

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