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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Organização dos Jogos Olímpicos pede desculpa pelo quadro "A Última Ceia"

Paródia com drag queens motivou revolta na Igreja.

28 de julho de 2024 às 14:49

A organização dos Jogos Olímpicos de Paris pediu este domingo desculpa a todos os que se sentiram ofendidos por um quadro que evocava "A Última Ceia" de Leonardo da Vinci durante a cerimónia de abertura.

A pintura de Da Vinci retrata o momento em que Jesus Cristo declarou que um apóstolo o iria trair. A cena da cerimónia de sexta-feira contou com a presença da DJ e produtora Barbara Butch - um ícone LGBTQ+ - ladeada por artistas 'drag' e dançarinos.

Os conservadores religiosos de todo o mundo condenaram o segmento, com a conferência de bispos da Igreja Católica francesa a deplorar as "cenas de escárnio" que, segundo eles, ridicularizavam o cristianismo - um sentimento partilhado pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.

A Comunhão Anglicana no Egito expressou o seu "profundo pesar", afirmando que a cerimónia poderia fazer com que o Comité Olímpico Internacional "perdesse a sua identidade desportiva distintiva e a sua mensagem humanitária".

O diretor artístico da cerimónia, Thomas Jolly, afirmou que o objetivo era celebrar a diversidade e prestar homenagem à festa e à gastronomia francesa.

Anne Descamps, porta-voz de Paris 2024, foi questionada sobre os protestos durante uma conferência de imprensa do Comité Olímpico Internacional.

"É evidente que nunca houve a intenção de desrespeitar qualquer grupo religioso. Pelo contrário, penso que (com) Thomas Jolly, tentámos realmente celebrar a tolerância da comunidade", afirmou Descamps. "Olhando para o resultado das sondagens que partilhámos, acreditamos que esta ambição foi alcançada. Se as pessoas se sentiram ofendidas, é claro que lamentamos muito, muito mesmo."

Jolly explicou as suas intenções à Associated Press após a cerimónia:

"O meu desejo não é ser subversivo, nem gozar ou chocar", disse Jolly. "Acima de tudo, queria enviar uma mensagem de amor, uma mensagem de inclusão e não de divisão".

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