"Alerta máximo": Petroleiro russo à deriva no Mediterrâneo em risco de desastre ambiental iminente
Embarcação está danificada, sem tripulação e fora de controlo. Transporta gás natural liquefeito e combustíveis.
Um petroleiro russo à deriva no Mar Mediterrâneo está a gerar uma crescente preocupação entre autoridades europeias e organizações ambientais, devido ao risco elevado de explosão e poluição em larga escala. A embarcação, identificada como Arctic Metagaz, encontra-se gravemente danificada, sem tripulação e fora de controlo, transportando gás natural liquefeito (GNL) e grandes quantidades de combustíveis.
O incidente teve origem no início de março, após o navio ter sido atingido por explosões, alegadamente provocadas por um drone, nas proximidades de Malta. Desde então, o petroleiro tem derivado lentamente em direção ao sul, afastando-se das águas italianas e da ilha de Lampedusa. As autoridades de Itália e Malta mantêm vigilância constante sobre a situação, de acordo com o jornal O Globo.
Uma fonte governamental italiana descreveu o navio como uma verdadeira “bomba ambiental”, sublinhando o risco iminente de catástrofe ecológica. A preocupação é partilhada por vários países da União Europeia, que já solicitaram uma resposta coordenada à Comissão Europeia.
O perigo associado ao Arctic Metagaz é significativo. Para além do GNL altamente inflamável, a embarcação transporta cerca de 450 toneladas de óleo combustível e 250 toneladas de gasóleo. Segundo autoridades italianas, existe a possibilidade real de explosão a qualquer momento, o que poderia desencadear um desastre ambiental de grandes proporções.
O caso do Arctic Metagaz insere-se num contexto mais amplo de tensões relacionadas com a guerra na Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou o incidente como um “ataque terrorista”, atribuindo responsabilidades à Ucrânia que, por sua vez, não confirmou qualquer envolvimento.
Segundo Kiev, navios como este fazem parte de uma chamada “frota fantasma”, utilizada para transportar petróleo e gás russos contornando sanções internacionais. Estas embarcações operam frequentemente com sistemas de localização desligados, que tornam difícil o seu rastreio.
Nos últimos meses, têm sido registados vários ataques a petroleiros russos, o que aumenta o risco de incidentes semelhantes no futuro.
A situação está a ser acompanhada de perto por organizações ambientais, incluindo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que declarou estado de “alerta máximo”. A área onde o navio se encontra é considerada ecologicamente sensível, com elevada biodiversidade e presença de espécies protegidas.
Um eventual derrame de combustíveis ou explosão poderia ter consequências devastadoras para os ecossistemas marinhos da região, afetando não só a fauna e flora, mas também atividades económicas como a pesca e o turismo.
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