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Ataques no Golfo agravam escalada do petróleo e do gás

Brent aumentou mais de 60% desde o início da guerra e gás já dobrou o preço, afetando o mercado de eletricidade europeu.

20 de março de 2026 às 01:30

Os preços do petróleo e do gás voltaram ontem a escalar, depois de o Irão ter intensificado os ataques contra infraestruturas de energia no Golfo, incendiando instalações de gás natural do Catar e duas refinarias de petróleo do Kuwait. O barril de petróleo Brent, referência internacional, chegou aos 119 dólares, um aumento de mais de 60% desde que Israel e os Estados Unidos iniciaram a guerra a 28 de fevereiro com ataques ao Irão. São níveis inéditos desde 9 de março, quando roçou os 120 dólares.

Já o preço do gás natural dobrou no último mês e essa subida tem impacto direto no mercado de eletricidade europeu, cujo preço é parcialmente determinado pelo do gás. Esta ofensiva do Irão no Golfo, em resposta a um ataque israelita a um importante campo de gás natural iraniano, coloca ainda mais restrições ao fornecimento global de energia, já pressionado pelo bloqueio do estreito de Ormuz, por onde circula habitualmente 20% do petróleo e do gás mundiais.

Os especialistas temem consequências a longo prazo, uma vez que o campo de gás atacado no Catar é o principal local de produção de gás natural liquefeito do mundo: produz cerca de um quinto do gás natural liquefeito transportado por navio em todo o mundo. A própria empresa estatal de energia do Catar alertou, esta quinta-feira, que a reparação das instalações atingidas, onde a produção já estava parada devido a ataques anteriores, pode demorar até cinco anos.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também denunciaram ataques iranianos ao seu setor energético, numa altura em que a Arábia Saudita tinha começado a bombear grandes volumes de petróleo em direção ao Mar Vermelho para evitar o estreito de Ormuz, cujo bloqueio já está a causar a maior interrupção de fornecimento de petróleo da história.

Entretanto, a Agência Internacional de Energia subiu de 400 para até 426 milhões o número de barris de petróleo a libertar das suas reservas estratégicas. Entre estes incluem-se 301 milhões de barris de petróleo bruto e 125 milhões de barris de produtos refinados. Segundo a agência com sede em Paris, a libertação dos volumes iniciais, sobretudo de petróleo bruto, já teve início. 

CENÁRIO MAIS SEVERO

O cenário mais severo traçado pelo Banco Central Europeu sobre os impactos da guerra projeta um pico no preço do petróleo de 145 dólares por barril, enquanto no cenário base fica nos 90 dólares. Já o preço do gás atinge os 106 euros por Megawatt/hora (MWh) no cenário mais severo e fica nos 50 euros por MWh no cenário base.

Corredor humanitário

A Organização Marítima Internacional pede a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz para retirar os navios presos no golfo Pérsico.

MERCADORIAS

A Organização Mundial do Comércio prevê uma forte desaceleração do comércio mundial de mercadorias este ano, estimando um crescimento de 1,4% caso os preços da energia se mantenham elevados devido à guerra.

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