Asteroide Bennu: pião celeste 'carrega' 22 bombas atómicas

Bennu tem 500 metros de diâmetro e pode desvendar segredos sobre a origem da Terra. NASA garante que o risco de impacto é quase nulo. A acontecer, seria a 24 de setembro de 2182.

31 de maio de 2026 às 01:30
O Bennu foi descoberto em 11 de setembro de 1999. Tem sido objeto de intenso estudo. Contém rica variedade de minerais
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Bennu, o asteroide pião que orbita em torno do sol, não é um corpo celeste qualquer. Com cerca de 500 metros de diâmetro, foi descoberto a 11 de setembro de 1999. Sabe-se que vem do tempo da formação do nosso sistema solar, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, e que terá nascido a partir de fragmentos de um asteroide muito maior.

Conjunto de pedregulhos e rochas soltas, mantidos unidos por força da gravidade (uma pilha de entulho), a sua química e mineralogia permaneceram inalteradas desde que se formou, contendo elementos que podem explicar a origem do nosso planeta. Daí que desde a sua descoberta esteja a ser intensamente estudado pela NASA. Em 2016, a agência espacial norte-americana enviou ao seu encontro a sonda ‘Osiris-Rex’.

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A missão foi um sucesso. Quando passava a 108 mil quilómetros da Terra, a ‘Osiris-Rex’ libertou uma cápsula com 250 gramas de material recolhido na superfície da rocha espacial, que aterrou em segurança no deserto de Utah. Entre o lançamento da missão e a aterragem da cápsula passaram-se sete anos, mas valeu a pena.

“A amostra da ‘Osiris-Rex’ é a maior amostra de asteroide rico em carbono que alguma vez foi enviada para a Terra e irá ajudar os cientistas a investigar as origens da vida no nosso planeta nas próximas gerações”, admitiu Bill Nelson, administrador da NASA.

A convicção de Bill Nelson resulta do facto de a amostra revelar que o Bennu contém uma rica variedade de minerais e de compostos orgânicos. Análises detalhadas revelaram a presença de aminoácidos, as moléculas que formam as proteínas, bem como bases nitrogenadas — os componentes fundamentais do DNA.

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Mas nem tudo são boas notícias. Se o Bennu – nome dado por Michael Puzio, um miúdo de nove anos, norte-americano, que ganhou o concurso da NASA para designar o asteroide – pode revelar os segredos da Terra, também a pode destruir. Em 2135, vai passar por nós a metade da distância entre a Terra e a Lua, mas acredita-se que a gravidade da Terra alterará a sua trajetória.

Mas, em 2182 a história é diferente. Os alarmes estão ligados para o dia 24 de setembro, ainda que a NASA considere a hipótese de colisão quase nula. Quase. É certo que já estão ser estudadas soluções para evitar o impacto, nomeadamente alterando-lhe a trajetória. Mas o perigo existe e o impacto já está calculado. A energia libertada seria o equivalente a 22 bombas atómicas das mais poderosas.

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