Bolsonaro isolado em casa com regras mais duras que na cadeia
Filhos só poderão visitar o ex-presidente duas vezes por semana, separados e durante meia hora cada um.
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que começou na sexta-feira a cumprir prisão domiciliária humanitária enquanto recupera de uma broncopneumonia bacteriana bilateral contraída na cadeia, está submetido na sua mansão em Brasília a regras e limitações extremamente severas que o isolam do mundo e afetam até as visitas dos filhos. Alexandre de Moraes, o juiz que o condenou no ano passado a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado, impôs a Bolsonaro regras até mais duras do que ele tinha no anexo da Penitenciária da Papuda, onde cumpria pena antes de adoecer.
Determinado em isolar Bolsonaro o mais possível num ano de eleições presidenciais e gerais em que o ex-presidente, mesmo debilitado, articulava alianças a partir da cela e geria a candidatura do filho Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil, Moraes proibiu que o político tenha contacto diário com mais alguém além da mulher, Michelle Bolsonaro, da filha de ambos e da enteada, que vivem na casa, e proibiu todas as visitas além das dos médicos. Os advogados do ex-presidente, por exemplo, só poderão visitá-lo com autorização do juiz, e os filhos - Jair Renan, Carlos e Eduardo, este a viver nos EUA há um ano - só poderão visitá-lo duas vezes por semana, individualmente e por meia hora cada um. Apenas Flávio, por também ser advogado do pai, terá acesso a ele fora desses dias, mas tendo de solicitar autorização antes de cada visita.
Na penitenciária, Bolsonaro podia receber políticos e os filhos podiam ficar com ele por até duas horas por visita, enquanto Michelle não tinha limitações. O isolamento agora imposto por Alexandre de Moraes incide exatamente nos meses cruciais de abril, maio e junho, altura em que os partidos definem os seus candidatos às eleições.
Moraes está tão obcecado em isolar Bolsonaro que, desta vez, ordenou a presença de polícias até no quintal da casa, e não somente na frente, e proibiu o sobrevoo de aeronaves, inclusive drones, na região, para impedir a captação de imagens. Na prisão domiciliária anterior, em agosto e setembro de 2025, Bolsonaro podia receber visitas, os filhos tinham livre acesso e não havia qualquer impedimento à recolha de imagens se ele surgisse na varanda, por exemplo, desde que não se manifestasse.
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