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Juiz impõe restrições a visitas de filhos a Jair Bolsonaro na prisão domiciliária

Ficam de fora dessa restrição a mulher de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, a filha, ainda menor, e a filha de um casamento anterior, que já viviam na casa.

29 de março de 2026 às 14:38

Numa nova decisão polémica, o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs restrições severas a visitas dos filhos de Jair Bolsonaro ao pai enquanto ele estiver em prisão domiciliária na sua mansão em Brasília, que começou a cumprir esta sexta-feira, 27. Bolsonaro, condenado em Setembro de 2025 a 27 anos e 3 meses de cadeia por tentativa de golpe de Estado, foi autorizado a contragosto por Moraes a ficar 90 dias em casa, por orientação médica, após ter tido alta esta sexta do Hospital DF Star, também na capital brasileira, onde ficou internado por 14 dias devido a uma broncopneumonia bacteriana bilateral adquirida na prisão da Papudinha, onde cumpria a pena.

Ao autorizar o antigo presidente a cumprir prisão domiciliária humanitária de 90 dias por motivos de saúde, pois esse foi o prazo estimado pelos médicos para Bolsonaro se recuperar totalmente, Alexandre de Moraes impôs uma série de medidas restritivas, ainda mais duras do que durante o período da primeira prisão domiciliária, em Agosto e Setembro do ano passado. Desta feita, Moraes, alegando risco de infecções, proibiu totalmente as visitas a Bolsonaro em casa, exceptuando as da equipa médica, os advogados e os filhos, mas estes com grandes limitações.

Este sábado, 28, reagindo a um recurso dos advogados pedindo para todos os filhos poderem visitar o antigo governante sempre que quisessem, o magistrado reiterou a negativa e reforçou as restrições. Pela sua decisão, os filhos de Jair Bolsonaro que não vivem com ele, como o ex-vereador Carlos Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA há um ano, o vereador Jair Renan Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro só poderão visitar o pai nos mesmos dias e horários que eram permitidos na prisão, ou seja, duas vezes por semana e somente por meia hora cada um, individualmente.

Ficam de fora dessa restrição a mulher de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, a filha deles, ainda menor, e a filha dela de um casamento anterior, que já viviam na casa. Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai para candidato à presidência nas eleições de Outubro, fica numa situação intermediária, pois foi colocado pelo pai como fazendo parte da equipa de advogados, e poderá visitá-lo para além dos dias normais de visita mas mediante autorização do juiz caso a caso.

Além dessa restrição de visitas, o que não acontecia nem na prisão da Papudinha, onde Bolsonaro recebia políticos quase todos os dias mediante autorização, Alexandre de Moraes proibiu o ex-presidente de qualquer declaração ou manifestação pública, feita por ele diretamente ou através de terceiros, proibiu as visitas de entrarem na mansão com telemóveis ou qualquer outro equipamento que possa gravar imagens ou áudio, que têm de ser deixados com a segurança externa da casa. Essas restrições foram vistas nos meios políticos como uma forma de silenciar totalmente Bolsonaro num decisivo ano eleitoral em que o filho Flávio já ameaça o projeto de reeleição de Lula da Silva, e de o impedir de continuar a fazer as articulações políticas que fazia até na prisão visando as eleições presidenciais e gerais do final do ano.

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