Boris Johnson quer sabotar adiamento do Brexit
Primeiro-ministro do Reino Unido procura forma de contornar lei aprovada pelos deputados e assinada pela rainha.
A resolução aprovada pelo parlamento britânico exigindo ao governo um adiamento do Brexit por três meses foi esta segunda-feira assinada pela rainha Isabel II, tornando-se lei, mas isso não demoveu o PM, Boris Johnson, que insiste em tirar o Reino Unido da UE a 31 de outubro com ou sem acordo e está disposto a explorar todas as opções que lhe permitam contornar a lei esta segunda-feira aprovada.
"O primeiro-ministro foi claro quando garantiu que irá tirar este país da UE a 31 de outubro, sem ‘ses’ nem ‘mas’. Ele não vai permitir mais adiamentos sem sentido", garantiu um porta-voz do governo, sem explicar como Johnson irá contornar a lei e sabotar o adiamento imposto pelo Parlamento.
Uma das hipóteses que estão em cima da mesa é enviar uma carta a Bruxelas a pedir o adiamento, conforme estipulado pelo Parlamento, mas enviar ao mesmo tempo uma segunda missiva a dizer que o governo não pretende qualquer adiamento. Fontes judiciais já avisaram que isso é equivalente a violar a lei e, em último caso, Johnson pode ser destituído ou até mesmo preso.
Outra possibilidade é convencer algum país a vetar o adiamento, já que este só entrará em vigor se for aceite de forma unânime pelos 27, embora não seja claro se haverá algum Estado-Membro da UE disposto a arcar com a responsabilidade.
Entretanto, o parlamento foi esta segunda-feira suspenso por cinco semanas, depois de os deputados terem chumbado novamente o pedido de Johnson para a realização de eleições antecipadas. Os deputados só voltam a reunir a 14 de outubro, três dias antes do Conselho Europeu em que será discutido o adiamento.
Esta segunda-feira, em reunião com o PM irlandês, Leo Varadkar, Johnson garantiu que ainda é possível chegar a acordo com a UE para um saída ordeira a 31 de outubro, mas avisou que a ausência de um acordo seria "um fracasso do qual todos seremos responsáveis".
John Bercow sai a 31 de outubro
O presidente do parlamento, John Bercow, cujos gritos a pedir "ordem" marcaram os debates do Brexit, anunciou que deixa o cargo a 31 de outubro, antecipando-se a um plano conservador para o afastar.
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