Cabo Verde estende regime de layoff até 31 de dezembro

Medida entrou em vigor em abril para em vigor desde abril para as empresas afetadas pela crise provocada pela pandemia.

16 de outubro de 2020 às 22:43
Banco em Cabo Verde Foto: Getty Images
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O parlamento cabo-verdiano aprovou esta sexta-feira a prorrogação até 31 de dezembro do modelo de layoff em vigor desde abril para as empresas afetadas pela crise provocada pela pandemia, agora com possibilidade de trabalho parcial.

A proposta apresentada pelo Governo, aprovada por unanimidade na generalidade e na globalidade, terá retroatividade a 01 de outubro, dado que o prazo de validade da última prorrogação deste modelo de layoff terminou no final de setembro.

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Ao apresentar a proposta, levada à primeira sessão plenária de outubro em regime de urgência, a ministra da Justiça e Trabalho, Janine Lélis, explicou que nesta nova versão os trabalhadores colocados em layoff poderão exercer atividade, por "solicitação do empregador", até ao limite de 40% da carga laboral.

Estes trabalhadores só podem ser chamados para as "funções habitualmente exercidas" e não confere qualquer pagamento adicional ao estabelecido.

Com esta medida governamental, aplicada para mitigar os efeitos da crise económica provocada pela pandemia de covid-19, os trabalhadores recebem 70% do seu salário bruto, que é pago em partes iguais pela entidade empregadora e pelo Estado, através do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).

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A suspensão do contrato de trabalho, nestes moldes e válido para todas as empresas, começou a ser aplicada em abril, quando foi decretado o primeiro período de estado de emergência em Cabo verde, e prolongou-se até 30 de junho.

O modelo seguinte de layoff simplificado entrou em vigor em 01 de julho, sendo válido até 30 de setembro, mas apenas para empresas com quebra de 40% na faturação, ficando ainda proibidas de fazer despedimentos até praticamente final do ano.

Segundo a ministra Janine Lélis, na primeira e segunda fase deste modelo, o regime de layoff abrangeu 23.421 trabalhadores.

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"É uma medida boa que mostra ser necessária até 31 de dezembro", disse.

Apesar do voto favorável, a oposição alertou para os riscos de rutura nas contas do INPS, instituto público que gere as pensões cabo-verdianas.

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, admitiu no final de julho que a pandemia de covid-19 está a colocar "em risco" 150 mil empregos no arquipélago, sendo necessária uma intervenção "muito forte" do Estado para travar o desemprego "em massa".

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"A taxa de desemprego pode duplicar em Cabo Verde, em consequência do impacto da pandemia da covid-19. Temos, neste momento, cerca de 206 mil pessoas empregadas. Cerca de 150 mil empregos estão em risco", afirmou Olavo Correia, que é também ministro das Finanças.

A taxa de desemprego em Cabo Verde antes do início da pandemia de covid-19 rondava os 11%, mas a atual previsão do Governo aponta para 20% até final do ano, devido aos efeitos da crise no setor do turismo, que garante 25% do Produto Interno Bruto do país, quando o arquipélago esteve fechado a voos internacionais de 19 de março a 12 de outubro.

Cabo Verde registou nas últimas 24 horas mais três mortes associadas ao novo coronavírus, elevando para 82 o número de óbitos no país, que contabilizou mais 84 novos casos positivos nas últimas 24 horas, segundo dados tornados públicos pelo Ministério da Saúde.

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Com os dados de~sta sexta-feira, o país passou a contabilizar um acumulado de 7.526 casos positivos desde 19 de março, distribuídos por todos os 22 municípios.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e noventa e nove mil mortos e quase 39 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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