Curdos do Irão prontos para atacar regime
CM entrou em base de milícia oposicionista iraniana refugiada no Iraque. Movimento foi atacado com drones.
Há todo um protocolo discretamente secreto para chegar ao 'quartel-general' da Organização da Luta do Curdistão Iraniano. O grupo político-militar foi obrigado a recuar do Irão para o Curdistão iraquiano e preparar aqui uma pretendida – mas adiada, para já - ofensiva terrestre contra o regime de Teerão. Mesmo instalada no labirinto de uma aldeia no distrito de Erbil, a base do movimento foi alvo de um ataque com drones oriundo do Irão.
Tem sido assim praticamente todos os dias desde o início da guerra. “Era final da tarde quando a explosão se sentiu aqui”, diz um ‘peshmerga’ que acompanhou o CM no regresso à zona interior do quartel onde se registou o impacto. "Isto são munições de fragmentação", refere outro militar enquanto mostra o pequeno cubo metálico. Há centenas deles espalhados e as marcas de perfuração estão bem visíveis nas paredes dos pequenos edifícios pintados de branco de onde a caixilharia simplesmente desapareceu. Algumas casas foram atingidas por incêndios.
O ataque cirúrgico feriu sem gravidade dois 'peshmerga'. "Foi uma sorte. Um pouco antes e aquele lugar estava com muitos militares", refere um velho comandante. Nenhum deles pretende dar o nome, mas não se importam de mostrar o rosto, talvez por estarem sempre fechados naquele pedaço de terra a partir de onde sonham iniciar um ataque terrestre contra o Irão. Forçados a sair do território desde que o regime totalitário de Teerão começou a disparar contra tudo e contra todos no Médio Oriente em retaliação pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, que acabaria na morte do Aiatolá Ali Khamenei, querem voltar para mudar o poder.
"Estamos prontos, a qualquer momento, para alinhar as nossas visões com os Estados Unidos", disse ao CM, Baba Shekh, líder da Organização da Luta do Curdistão Iraniano. Numa sala austera e minúscula, Baba Shekh garantiu dispor de "uma força militar significativa, tanto no interior do Curdistão iraniano, em redes internas organizadas, como no exterior", pronta a avançar para a guerra “assim que for alcançado um acordo com os EUA”. Aquele responsável político-militar lembra uma luta “que já dura há 47 anos”, durante os quais “muitos dos nossos amigos e companheiros deram a vida por esta liberdade e dezenas foram presos”.
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