Curdos do Irão prontos para atacar regime

CM entrou em base de milícia oposicionista iraniana refugiada no Iraque. Movimento foi atacado com drones.

12 de março de 2026 às 01:30
Marcas do ataque iraniano na base dos rebeldes curdos Foto: Alfredo Leite
Comandante Baba Shekh Foto: Alfredo Leite

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Há todo um protocolo discretamente secreto para chegar ao 'quartel-general' da Organização da Luta do Curdistão Iraniano. O grupo político-militar foi obrigado a recuar do Irão para o Curdistão iraquiano e preparar aqui uma pretendida – mas adiada, para já - ofensiva terrestre contra o regime de Teerão. Mesmo instalada no labirinto de uma aldeia no distrito de Erbil, a base do movimento foi alvo de um ataque com drones oriundo do Irão.

Tem sido assim praticamente todos os dias desde o início da guerra. “Era final da tarde quando a explosão se sentiu aqui”, diz um ‘peshmerga’ que acompanhou o CM no regresso à zona interior do quartel onde se registou o impacto. "Isto são munições de fragmentação", refere outro militar enquanto mostra o pequeno cubo metálico. Há centenas deles espalhados e as marcas de perfuração estão bem visíveis nas paredes dos pequenos edifícios pintados de branco de onde a caixilharia simplesmente desapareceu. Algumas casas foram atingidas por incêndios.

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FOTO: Alfredo Leite
Soldado 'pershmerga' mostra munição de fragmentação usada pelo Irão

O ataque cirúrgico feriu sem gravidade dois 'peshmerga'. "Foi uma sorte. Um pouco antes e aquele lugar estava com muitos militares", refere um velho comandante. Nenhum deles pretende dar o nome, mas não se importam de mostrar o rosto, talvez por estarem sempre fechados naquele pedaço de terra a partir de onde sonham iniciar um ataque terrestre contra o Irão. Forçados a sair do território desde que o regime totalitário de Teerão começou a disparar contra tudo e contra todos no Médio Oriente em retaliação pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, que acabaria na morte do Aiatolá Ali Khamenei, querem voltar para mudar o poder.

"Estamos prontos, a qualquer momento, para alinhar as nossas visões com os Estados Unidos", disse ao CM, Baba Shekh, líder da Organização da Luta do Curdistão Iraniano. Numa sala austera e minúscula, Baba Shekh garantiu dispor de "uma força militar significativa, tanto no interior do Curdistão iraniano, em redes internas organizadas, como no exterior", pronta a avançar para a guerra “assim que for alcançado um acordo com os EUA”. Aquele responsável político-militar lembra uma luta “que já dura há 47 anos”, durante os quais “muitos dos nossos amigos e companheiros deram a vida por esta liberdade e dezenas foram presos”.

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