Desinformação marcou eleições em 2025 e deixou "danos de longo prazo"

Investigadores destacam repetição de narrativas direcionadas contra partidos, políticos e instituições, com "campanhas destinadas a descredibilizar processos eleitorais".

26 de janeiro de 2026 às 09:42
Desinformação Foto: Direitos Reservados
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A investigadora da organização EU DisinfoLab Raquel Miguel defendeu à Lusa que a desinformação e a interferência estrangeira marcaram o ano eleitoral de 2025, sem chegarem a provocar ruturas imediatas nos processos eleitorais, mas deixando "danos de longo prazo".

"Em praticamente todos os contextos eleitorais analisados houve atividade de desinformação, por vezes com uma componente clara de FIMI [Manipulação e Interferência de Informação Estrangeira]", afirmou a investigadora, apontando eleições em países como Polónia, Alemanha, Moldávia ou República Checa.

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Segundo a investigadora, "em alguns casos, como na Moldávia, a escala foi particularmente preocupante", embora o cenário mais grave continue a ser o da Roménia, onde eleições foram anuladas em 2024 devido a uma campanha de influência estrangeira.

"Este pior cenário não se repetiu em 2025, mas a Roménia esteve muito presente na perceção de risco e na preparação das autoridades", sublinhou.

Raquel Miguel destacou a repetição de narrativas direcionadas contra partidos, políticos e instituições, com "campanhas destinadas a descredibilizar processos eleitorais, a atacar posições pró-Ucrânia e a minar a confiança institucional".

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Apesar disso, o impacto direto foi limitado, uma vez que, "na maioria dos casos, o impacto observável não foi suficiente para perturbar diretamente os processos eleitorais", disse a responsável, alertando, no entanto, que "a ameaça é persistente e improvável de desaparecer".

Para a investigadora, um dos sinais mais preocupantes foi a continuidade de campanhas bem documentadas, com as "campanhas pró-Kremlin a circular durante as eleições, o que sugere que os mecanismos de aplicação da lei não funcionaram plenamente", afirmou.

As plataformas digitais tiveram ainda um papel central nesse fenómeno, pois "as redes sociais amplificaram significativamente estas campanhas, muitas vezes sem medidas adequadas de mitigação", disse a investigadora, acrescentando que o cumprimento das obrigações previstas no Regulamento dos Serviços Digitais (DSA) "parece insuficiente na prática".

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"Evitar uma crise aguda não significa que o problema esteja resolvido", rematou, acrescentando que "o dano mais profundo é a erosão gradual da confiança nas instituições democráticas".

Raquel Miguel é investigadora da organização sem fins lucrativos EU DisinfoLab, sediada em Bruxelas, e que se dedica a reunir conhecimento e experiência sobre a desinformação na Europa, apoiando a comunidade nesta missão.

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