Ditador Franco exumado sem honras de Estado

Corpo foi levado de helicóptero para cemitério a 35 quilómetros de Vale dos Caídos.

25 de outubro de 2019 às 08:53
Caixão com os restos mortais de Franco foi retirado da basílica por netos do antigo ditador Foto: Juan Carlos Hidalgo/Reuters
Tejero foi travado pela polícia Foto: David Fernandez/Lusa
Apoiantes de Franco receberam o caixão com vivas em Mingorrubio Foto: Sergio Perez/Reuters

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O corpo do antigo ditador espanhol Francisco Franco foi esta quinta-feira retirado da basílica do Vale dos Caídos. Apesar da longa polémica e da batalha legal que envolveram a decisão de exumar o cadáver, a cerimónia decorreu sem incidentes de relevo.

Em contraste com a pompa do funeral, a 23 de novembro de 1975, a trasladação de Franco foi realizada de forma discreta e sem quaisquer honras de Estado. A exumação começou às 11h30 (hora de Portugal) e foi acompanhada por 22 familiares do ditador, na maioria netos e bisnetos.

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Mas somente dois foram autorizados a acompanhar o momento em que a urna foi retirada da tumba. Quatro netos ajudaram a transportar o féretro até à saída da basílica. Francis Franco, o neto mais velho, quis colocar sobre o caixão a bandeira da Espanha fascista, com a Águia de São João, a mesma que o cobriu no funeral, mas foi impedido de entrar com ela na basílica.

O caixão foi transportado de helicóptero até ao cemitério de Mingorrubio, em El Pardo - a 35 km do Vale dos Caídos -, onde foi sepultado em cerimónia privada ao lado da mulher, Carmen Polo.

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A família Franco resistiu até ao último momento à exumação, tendo levado recursos ao Supremo Tribunal e aos tribunais europeus. Franco era o único antigo ditador fascista de um país democrático que gozava de honras de Estado.

Coronel golpista impedido de ir ao cemitério

O tenente-coronel Antonio Tejero Molina, líder do golpe de Estado falhado de 1981 para reinstaurar o regime fascista, foi travado à entrada do cemitério de Mingorrubio, para onde foi transferido o corpo de Franco. O antigo guardia civil foi recebido com vivas por apoiantes do ditador à entrada do cemitério.

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Mas, quando tentou entrar, para assistir à deposição da urna, foi travado pela polícia. Curiosamente, o seu filho, Ramón Tejero, foi o padre que celebrou no local uma missa em honra de Franco.

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