Escândalo no Brasil com milhões de euros gastos por Bolsonaro em leite condensado
Brasileiros querem saber como faltou dinheiro para o combate à Covid-19 e foram compradas 2,5 milhões de latas do produto.
O governo do presidente Jair Bolsonaro, que por alegada escassez de verbas deixou até faltar oxigénio hospitalar para doentes graves de Covid-19, comprou em 2020 2,5 milhões de latas de leite condensado e milhões de pastilhas elásticas, entre outros produtos cuja divulgação chocou o Brasil. O Ministério Público vai investigar suspeitas de sobrefaturação e desvios de verbas.
Na lista dos alimentos comprados pela Presidência da República para serem distribuídos por órgãos federais consta o gasto de 2,2 milhões de euros em leite condensado, 340 mil euros em milhões de pastilhas elásticas e outras avultadas verbas em produtos que chamam a atenção pelo inusitado e o exagero das quantidades, isto num momento em que milhões de brasileiros passam fome e hospitais fecham portas por falta de recursos e de ajuda federal.
Chamaram também a atenção as quantidades de champanhe, vinhos refinados, mariscos, doces e pudins e até de bacon, entre outros, e o valor pago pelas mercadorias. Investigações da imprensa revelam que o governo pagou por diversos produtos até seis vezes mais do que qualquer consumidor paga num supermercado.
Inicialmente, o governo afirmou que as quantidades em causa são normais, destinando-se a abastecer órgãos federais de todo o país. Depois, como a repercussão negativa se avolumou, alegou que os dados divulgados estavam errados e que ia corrigi-los.
Um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, declarou que a gigantesca quantidade de leite condensado, uma paixão do pai dele, visa garantir energia aos efetivos das Forças Armadas. Já o presidente, perdendo a compostura, afirmou, num almoço em Brasília, que as latas de leite condensado eram para “enfiar no rabo da imprensa”, e exortou os jornalistas a irem “para a p... que os pariu”.
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