Espanha congratula-se com aval europeu a acordo com Mercosul

Para o primeiro-ministro espanhol este é "um passo de gigante" para reforçar a relação da Europa com a América Latina num momento em que a UE precisa de novos aliados.

09 de janeiro de 2026 às 16:28
Primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez Foto: J.J. Guillen/Lusa_EPA
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Espanha congratulou-se esta sexta-feira com o aval da União Europeia (UE) à assinatura do acordo comercial com o Mercosul, um bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

É uma "extraordinária notícia", considerou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, em declarações em Madrid.

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"Finalmente, a União Europeia disse sim ao Mercosul", algo em que "Espanha e a diplomacia espanhola têm andado a trabalhar e a impulsionar há muito tempo", afirmou Albares.

Também o chefe de Estado de Espanha, o Rei Felipe VI, se congratulou com o aval europeu ao acordo com o Mercosul, durante uma intervenção num encontro de embaixadores espanhóis, em Madrid.

"Hoje estamos de parabéns", afirmou o monarca, que considerou que Espanha pode contribuir para desenvolver todo o potencial deste acordo comercial "que tão importante é para a União Europeia" e também a nível nacional.

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Na quinta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tinha já dito que estava "a fazer figas" para que os países da União Europeia dessem esta sexta-feira 'luz verde' à assinatura do acordo com o Mercosul.

Para Sánchez, este é "um passo de gigante" para reforçar a relação da Europa com a América Latina num momento em que a UE precisa de novos aliados.

Espanha foi um dos países da UE que mais defendeu este acordo com o Mercosul.

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O Governo de Madrid considera que o acordo é uma oportunidade para a Europa a vários níveis e em diversos setores, incluindo o agroalimentar, destacando o potencial para produções como a do azeite ou do vinho.

Apesar disso, agricultores espanhóis têm contestado o acordo com o Mercosul e estão esta sexta-feira a fazer protestos com cortes de estradas, como já aconteceu na quinta-feira.

Estes protestos estão a ocorrer, essencialmente, na Catalunha, no nordeste de Espanha, em zonas fronteiriças com França e nos acessos ao porto de Tarragona.

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Há também registo de manifestações de agricultores na Cantábria e no País Basco, no norte do país.

A par de Espanha, países como Alemanha e Itália congratularam-se também com o acordo entre a UE e o Mercosul, por considerarem que vai fortalecer a soberania da Europa e salvaguardar os agricultores locais.

O acordo comercial entre a UE e o Mercosul deverá ser formalmente aprovado às 17:00 de Bruxelas (16:00 de Lisboa) e assinado no dia 12 no Paraguai, disse à Lusa fonte europeia.

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Numa primeira votação esta sexta-feira, pelos embaixadores dos Estados-membros junto da UE (Coreper), a proposta passou com os votos contra de França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria e a abstenção da Bélgica, não tendo sido formada uma minoria de bloqueio representando 65% da população da UE.

Se nenhum país se juntar entretanto ao lado dos 'contra', o procedimento escrito é encerrado com a aprovação do acordo que levou 25 anos a ser negociado.

A fim de reforçar a UE e garantir que o bloco possa reagir rapidamente a perturbações do mercado, o acordo inclui uma cláusula de salvaguarda (um "travão de emergência"), com uma redução de 8% para 5% nas variações de preços em caso de desestabilização do mercado na Europa, mas também medidas de reciprocidade nas condições de produção, nomeadamente ambientais, e controlos reforçados.

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As negociações para criar uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo começaram em 1999, lideradas pela Comissão Europeia, que tutela a política comercial do bloco, e estiveram estagnadas durante anos, mas a política comercial dos Estados Unidos acabou por dar força ao acordo, dada a necessidade de procura de novos parceiros pela UE.

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