Eurogrupo reúne-se por videoconferência na próxima sexta-feira para debater impactos do conflito no Médio Oriente
A ideia é que nesta reunião os governantes avaliem os efeitos da crise no Médio Oriente sobre a economia da União Europeia.
Os ministros das Finanças da zona euro vão reunir-se na próxima sexta-feira num encontro extraordinário por videoconferência para debater a atual situação macroeconómica e o impacto da crise no Médio Oriente nos preços da energia.
Da agenda da reunião faz parte uma "análise do impacto da crise no Médio Oriente na economia da União Europeia, incluindo nos mercados energéticos e nas medidas políticas", segundo a informação divulgada por fonte oficial do Eurogrupo.
Inicialmente, estava prevista para essa data uma reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia, mas devido aos ataques do Irão na região do Médio Oriente e imediações, chegando a Chipre, tal encontro organizado pela presidência cipriota do Conselho foi adiado para maio.
A ideia é que, nesta reunião virtual do Eurogrupo, os governantes avaliem os efeitos da crise no Médio Oriente sobre a economia da União Europeia, nomeadamente no aumento da volatilidade dos mercados energéticos, nos riscos de subida dos preços do petróleo e do gás e nas potenciais perturbações das cadeias de abastecimento.
Quando muitos países da zona euro e da União Europeia, incluindo Portugal, avançam com medidas de apoios às suas economias e famílias, os ministros vão coordenar respostas políticas, garantir a segurança energética e mitigar impactos económicos negativos nos Estados-membros.
O Eurogrupo reuniu-se em meados de março pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra iniciada por Israel e por Estados Unidos contra o Irão e marcada pela resposta iraniana.
Nessa altura, após uma análise aos impactos económicos do conflito ao nível energético e inflacionista, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, alertou que a zona euro se deve "preparar para longa instabilidade", que pode afetar cadeias de abastecimento e pressionar os preços da energia e a inflação.
Já o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, considerou que um conflito mais alargado e duradouro no Médio Oriente poderá "ter implicações mais profundas e de longo prazo" na economia comunitária, mas destacou o "ponto de partida sólido".
Portugal esteve representado na ocasião pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que admitiu que Portugal possa registar défice em 2026 "se as circunstâncias o impuserem", dado o impacto das tempestades e, agora, do conflito no Médio Oriente.
Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.
Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia - especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.
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