Ex-procurador-chefe da Lava Jato é punido pelo Ministério Público brasileiro

Deltan Dallagnol deixou operação há uma semana alegando problemas de saúde na família.

08 de setembro de 2020 às 22:52
O procurador brasileiro Deltan Dallagnol Foto: Direitos Reservados
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O ex-coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, foi punido esta terça-feira com uma censura pelo Conselho Nacional do Ministério Público, o órgão máximo da entidade. Deltan deixou uma semana atrás a Lava Jato alegando problemas de saúde na família, depois de seis anos à frente da operação e de ter conseguido fazer condenar e mandado para a cadeia pessoas até então consideradas intocáveis, como o ex-presidente brasileiro Lula da Silva e o ex-presidente da constructora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, ambos já libertados.

O procurador, conhecido pela sua agressividade nas investigações e na tramitação dos processos e pela sua postura fortemente mediática, foi punido por ter publicado em 2019 uma série de ataques nas suas redes sociais contra o senador Renan Calheiros, na altura candidato à presidência do Senado, acusando-o de corrupção e de, se fosse eleito, ir dificultar a aprovação no parlamento de medidas contra políticos corruptos. Segundo o Conselho Nacional do Ministério Público, Deltan violou as regras de conduta que os procuradores devem adoptar, deixando de simplesmente fazer uma crítica ou manifestar a sua opinião para interferir diretamente no processo eleitoral do Congresso.

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A censura é a segunda punição mais leve das cinco que um membro do Ministério Público pode sofrer, e que começam com uma simples advertência e, depois da censura, são suspensão temporária, demissão e, a mais grave, perda da reforma. Mesmo assim a censura já prejudica Deltan, pois atrasa e dificulta a sua progressão na carreira de procurador e, em caso de nova condenação, serve como agravante.

Prevendo e tentando evitar uma punição neste julgamento, Deltan Dallagnol tinha recorrido ao Supremo Tribunal Federal e conseguido que o juiz Celso de Mello mandasse parar a tramitação do processo. Mas Mello entrou de baixa por problemas de saúde e outro juiz, Gilmar Mendes, autorizou na passada sexta-feira, dia 4, que o processo fosse retomado, e o CNMP colocou-o já na sessão desta terça, porque o prazo para o caso ser julgado terminaria na próxima quinta-feira.

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