Executado homem que passou 20 anos no corredor da morte apesar da apresentação de provas que podiam confirmar inocência
"A execução de uma pessoa inocente é a manifestação mais extrema da obsessão do Missouri", salientou a advogada de defesa de Marcellus Williams.
Marcellus Williams, um homem que passou mais de duas décadas no corredor da morte de uma prisão no estado do Missouri, nos Estados Unidos, foi executado esta terça-feira, depois de se ter levantado a hipótese de estar inocente. De acordo com a agência Reuters, o homem afroamericano foi morto por injeção letal pouco depois das 18h00 locais numa prisão em Bonne Terre.
Apesar de se ter assumido sempre inocente, Williams foi considerado culpado em 2003 pelo homicídio de Felicia "Lisha" Gayle, uma ex-repórter de um jornal que foi morta à facada em casa.
Segundo a Reuters, o procurador público do condado de St. Louis, Wesley Bell, cujo gabinete tratou da acusação original, tentou bloquear a execução devido a dúvidas sobre o julgamento original. "Mesmo para aqueles que discordam sobre a pena de morte, quando há sombra de dúvida sobre a culpa de qualquer arguido, a punição irreversível da execução não deve ser uma opção", disse Bell num comunicado antes da execução.
A morte do homem ocorreu um dia depois de o governador do Missouri, Mike Parson, e do Supremo Tribunal terem rejeitado as últimas tentativas para evitar a execução.
Nos documentos judiciais, o procurador questionou a fiabilidade das duas principais testemunhas do julgamento, considerou que os procuradores excluíram indevidamente os jurados negros com base na raça e observou que os novos testes não encontraram qualquer vestígio do ADN de Williams na arma do crime. Testes posteriores revelaram ADN na faca de um procurador e de um investigador que trabalhou no caso e manuseou a arma sem luvas.
A contaminação da faca levou os procuradores e os advogados de Williams a chegarem a um acordo em agosto, exigindo que este apresentasse um pedido de não contestação e recebesse uma pena de prisão perpétua.
A advogada de Williams, Tricia Rojo Bushnell, do Midwest Innocence Project, salientou num comunicado antes da execução que a família da vítima se opôs à execução de Williams.
"Isto não é justiça. E todos devemos questionar qualquer sistema que permita que isto ocorra", escreveu Bushnell. "A execução de uma pessoa inocente é a manifestação mais extrema da obsessão do Missouri com a 'finalidade' sobre a verdade, a justiça e a humanidade, a qualquer custo", escreveu.
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