"Falha no material circulante ou na infraestrutura": presidente da Renfe aponta possível causa do acidente de comboios em Espanha
Responsável da empresa estatal que operava um dos comboios envolvidos na colisão que resultou em pelo menos 39 mortos não aponta para um erro humano.
Álvaro Fernández Heredia, presidente da Renfe, empresa estatal que operava um dos comboios envolvidos na colisão de domingo em Córdoba que deixou pelo menos 39 mortos, referiu esta segunda-feira que as causas do acidente deverão estar relacionadas com o material ou infraestruturas, achando pouco provável que se trate de um erro humano.
"Foi um acidente em circunstâncias estranhas, e o pior que devemos fazer é especular. Devemos deixar a comissão independente de investigação fazer o seu trabalho. Não teremos uma resposta conclusiva nos próximos dias”, começou por dizer em declarações à rádio espanhola Cadena Ser.
Muitas questões se têm levantado sobre as causas do acidente, sobretudo porque aconteceu numa linha reta e por isso torna difícil de explicar. "Aconteceu numa via reta com limite de velocidade de 250 km/h. Um dos comboios circulava a 205 km/h e o outro a 210 km/h, então não foi uma questão de excesso de velocidade. As circunstâncias são estranhas”, apontou.
Em relação à linha férrea que atravessava a região de Córdoba, Heredia disse que se "trata de uma linha equipada com um sistema de segurança LZB que previne erros humanos". "Portanto deve ter sido alguma falha no material circulante ou na infraestrutura", indicou.
O presidente da Renfe explicou ainda que "os equipamentos da via, a plataforma e a infraestrutura tinham sido substituídos em maio, portanto deveriam estar em ótimas condições".
“Todos os sobreviventes foram retirados, mas é muito difícil saber se ainda há corpos”, embora “possivelmente haja”, disse o chefe da companhia ferroviária, em concordância com o que outras autoridades também afirmaram, visto que “os dois primeiros vagões do comboio da Renfe estão completamente destruídos” e o acesso é “muito complicado”.
Já está em curso uma investigação ao brutal acidente ocorrido no domingo à noite em Córdoba entre um comboio de alta velocidade que tinha partido de Málaga rumo a Madrid, que descarrilou, invadiu outra linha e embateu num outro, causando a morte a pelo menos 39 pessoas e causando mais de uma centena de feridos.
O ministro do Interior espanhol fala num acidente "tremendamente estranho" e que será necessário esperar pelo resultado de uma investigação, a cargo de uma comissão especializada e competente para estes casos, que deverá demorar cerca de um mês.
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