Fança diz ter recebido garantias do Líbano de buscar autores do assassinato de capacete azul

Emboscada executada no sábado resultou na morte de um soldado francês ao serviço da Força Interina das Nações Unidas no Líbano e fez também três feridos, dois dos quais graves.

19 de abril de 2026 às 17:20
Jean-Noël Barrot Foto: Christophe Petit Tesson/AP
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O ministro francês dos Negócios Estrangeiros disse este domingo ter recebido do Líbano garantias de que tudo fará para deter os autores da emboscada que causou a morte a um capacete azul francês, ao serviço das forças de manutenção da paz das Nações Unidas no país do Médio Oriente.

"Recebemos ontem [sábado] garantias de que as autoridades libanesas darão prioridade absoluta a encontrar os autores deste assassinato", disse Jean-Noël Barrot, em declarações à emissora francesa RadioJ.

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Barrot repetiu que todos os indícios apontam para que a autoria do ataque seja da milícia xiita libanesa Hezbollah, próxima do Irão, que, porém, negou qualquer envolvimento.

O chefe da diplomacia francesa denunciou ainda o que diz ser "o apoio do Irão a milícias que desestabilizam a região e que, no meio da guerra lançada por Estados Unidos e Israel [contra a república islâmica], atacam países vizinhos e soldados franceses".

Barrot criticou também as operações militares israelitas no Sul do Líbano, que, em seu entender, em vez de acabarem com o Hezbollah, acabarão por reforçá-lo, ao mesmo tempo que apelou ao Governo de Beirute que se foque no desarmamento da milícia xiita, "a única solução política para garantir a paz e a estabilidade no Líbano".

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Uma emboscada executada no sábado resultou na morte de um soldado francês ao serviço da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) e fez também três feridos, dois dos quais graves.

"A França exige às autoridades libanesas que detenham imediatamente os culpados e assumam as suas responsabilidades juntamente com a FINUL", instou Emmanuel Macron, na rede social X, quando soube da morte do soldado francês.

O Presidente francês vai receber em Paris o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, na terça-feira.

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"Esta visita será uma oportunidade para o chefe de Estado reiterar o seu compromisso com o pleno e completo respeito pelo cessar-fogo no Líbano, o apoio da França à integridade territorial do país e às ações empreendidas pelo Estado libanês para garantir a plena e completa soberania do país e o monopólio das armas", elencou o Palácio do Eliseu, a sede da Presidência francesa.

A situação permanece muito instável no Líbano, onde um frágil cessar-fogo entrou em vigor na quinta-feira, anunciado por Washington após uma reunião, no início da semana, entre os embaixadores libanês e israelita nos Estados Unidos, o primeiro encontro deste tipo em décadas.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel, em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.

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No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país.

Em declarações feitas no sábado, o líder do Hezbollah prometeu retaliar contra os ataques israelitas no Líbano.

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"Um cessar-fogo significa a cessação completa de todas as hostilidades. Como não confiamos neste inimigo [Israel], os combatentes da resistência permanecerão no terreno, prontos para disparar, e responderão a quaisquer violações", garantiu Naim Qassem num comunicado lido na televisão, acrescentando que uma trégua não pode ser unilateral.

O líder do Hezbollah afirmou que a forma como "os Estados Unidos estão a impor o seu texto e a falar em nome do Governo libanês" é um insulto ao Líbano.

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