Governo brasileiro afirma querer acelerar ratificação do acordo Mercosul

Presidência brasileira acrescentou que "acompanhará" os próximos passos do processo que se desenvolverá no âmbito das instituições europeias.

22 de janeiro de 2026 às 07:31
Lula da Silva Foto: Andre Borges
Partilhar

O Governo brasileiro afirmou esta quinta-feira que procura acelerar o processo interno para ratificar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), apesar da decisão do Parlamento Europeu de travar a sua aprovação.

Em comunicado enviado à agência EFE, o ministério brasileiro dos Negócios Estrangeiros garantiu que o Executivo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos principais impulsionadores do tratado, dá "toda a prioridade" à ratificação e continuará a "trabalhar" para "acelerar os trâmites internos de aprovação".

Pub

O objetivo é "garantir" que as condições para a sua plena entrada em vigor estejam reunidas "com a máxima celeridade possível", vincou.

O Parlamento Europeu decidiu esta quinta-feira, numa votação muito apertada, enviar o acordo para o Tribunal de Justiça da UE, para que seja revista a sua legalidade, um processo que pode prolongar-se por até dois anos e que, consequentemente, atrasa a ratificação.

Nesse sentido, a Presidência brasileira acrescentou que "acompanhará" os próximos passos do processo que se desenvolverá no âmbito das instituições europeias.

Pub

A decisão do Parlamento Europeu provocou reações diversas por parte dos governos do Mercosul, bloco do qual fazem parte Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e, em processo de adesão, a Bolívia, cujos parlamentos também precisam ratificar o acordo.

O Presidente paraguaio, Santiago Peña, afirmou não acreditar que o pedido de revisão jurídica "venha a ser um obstáculo".

Já o chefe da diplomacia do Uruguai, Mario Lubetkin, classificou a notícia como um "tropeço", mas disse ter "poucas dúvidas" de que o Tribunal acabe por validar o conteúdo do tratado.

Pub

Após mais de 25 anos de negociações, a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, e os representantes dos países do Mercosul assinaram o acordo no sábado passado, durante cerimónia em Assunção (Paraguai).

O pacto é um marco para ambos os lados, ao criar uma zona de livre comércio com cerca de 720 milhões de habitantes e um peso económico de 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), quase um quarto do PIB global.

De forma gradual, reduzirá ou eliminará as tarifas para cerca de 90% das exportações e importações.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar