Governo francês recusa ceder às manifestações contra reforma do sistema de pensões
Transportes parados, escolas fechadas e filas de trânsito intermináveis no segundo dia de greve geral.
O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, garantiu esta sexta-feira que a reforma do sistema de pensões vai mesmo avançar, apesar da greve geral que na quinta-feira levou mais de 800 mil pessoas às ruas e dos novos protestos agendados para a próxima semana.
Os efeitos da greve, que vai prolongar-se durante o fim de semana, voltaram ontem a fazer-se sentir em todo o país, com fortes perturbações nos transportes ferroviários e rodoviários, centenas de voos cancelados, escolas fechadas, hospitais a meio gás e engarrafamentos de mais de 300 quilómetros nos principais acessos a Paris.
Em causa está a intenção do presidente Emmanuel Macron em uniformizar e tornar "mais justo" o sistema de pensões em vigor há décadas em França, no qual coexistem 42 esquemas setoriais diferentes, cada um dos quais com diferentes índices de contribuições e benefícios, que permite, por exemplo, que marinheiros, trabalhadores dos caminhos de ferro e bailarinos da Ópera de Paris possam reformar-se até uma década mais cedo do que os restantes trabalhadores.
Para alterar esta situação, o governo propõe um sistema de pensões por pontos, único e igual para todos, em que cada dia da carreira contributiva será contabilizado para determinar o valor da reforma.
Os pormenores do plano do governo só serão oficialmente dados a conhecer na próxima quarta-feira, mas o primeiro-ministro já receitou cedências de maior.
"A França não pode continuar a ter 42 sistemas de pensões diferentes. Não é justo que alguns possam reformar-se mais cedo do que os outros. Os franceses terão de trabalhar um pouco mais, como acontece com as pessoas dos outros países da UE", afirmou Édouard Philippe, garantindo que a transição para o novo sistema universal será "progressiva" de modo a evitar mudanças "brutais".
SAIBA MAIS
62 anos é a idade legal de reforma em França, inferior à de outros países europeus, como Portugal. Proposta do governo não altera a idade limite, mas prevê cortes para quem se reformar antes dos 64 e oferece benefícios a quem trabalhar para além dessa data.
Buraco de 17 mil milhões
Gastos com as pensões representam 14% do Orçamento. Estudo independente indica que a manutenção do atual sistema de pensões irá provocar um buraco de 17 mil milhões de euros nas contas públicas em 2025.
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