Investigação ao acidente de comboio em Córdova aponta possível rutura da via

Rodas das primeiras carruagens de um dos comboios tinham marcas do tamanho de uma moeda de 50 cêntimos.

22 de janeiro de 2026 às 01:30
Acidente de comboio de alta velocidade em Espanha
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A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) detetou marcas do tamanho de moedas de 50 cêntimos nas rodas das cinco primeiras carruagens de um dos comboios, envolvidos no grave acidente ferroviário que ocorreu no em Adamuz, Córdova, no domingo, e que provocou a morte de 43 pessoas e deixou mais de 120 feridos.

Segundo o ministro dos Transportes, as marcas no Iryo, que descarrilou numa zona de via recentemente renovada, invadindo a via oposta e colidindo com o comboio da Renfe, poderão estar relacionadas com uma possível rotura da via no quilómetro 318 da linha de alta velocidade Madrid-Sevilha. “Os bogies das primeiras cinco carruagens apresentam uma marca e os dois ou três comboios que passaram antes também tinham marcas semelhantes. A questão agora é saber porque é que estas marcas foram produzidas. Se havia algo nos carris, se era a própria via que estava a começar a desfazer-se. Neste momento não é possível tirar uma conclusão sobre o que produziu estas marcas”, afirmou Óscar Puente.

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A investigação concentra-se agora neste segmento de via que foi arrancado no momento do descarrilamento, onde pode ter ocorrido uma falha de soldadura. Também serão analisados os comboios que passaram anteriormente pelo local. Os técnicos da CIAF recolheram amostras das rodas e moldes das marcas para tentar relacioná-las com a soldadura ou possível defeito do carril.

O troço onde ocorreu o acidente foi alvo de inspeções específicas em outubro e novembro do ano passado, após uma renovação entre 2022 e 2025, sem que fossem detetadas anomalias.

Entretanto, a Adif, empresa pública espanhola responsável por construir, gerir e manter a infraestrutura ferroviária de Espanha, decidiu baixar temporariamente o limite de velocidade dos comboios na linha Madrid-Barcelona para 160 km/h, anteriormente podiam chegar aos 300 km/h. A medida surge na sequência de relatos feitos pelo sindicato de maquinistas que alertaram para fortes vibrações nos comboios em algumas partes da via, e numa altura em que decorre ainda a investigação ao acidente de Córdova.

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Já o maior sindicato de maquinistas de comboio de Espanha, o Semaf, anunciou uma greve geral, sem avançar com datas concretas, para reivindicar garantias de segurança na rede ferroviária, depois dos acidentes desta semana.

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